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BRAGA X RIO AVE: ANÁLISE DE JOSÉ AUGUSTO SANTOS

A qualidade do plantel bracarense com soluções ofensivas foi a chave para ganhar um jogo que parecia perdido até o Rio Ave marcar aquele que seria o segundo golo, bem invalidado pela intervenção do VAR.

A capacidade de finalização dos 2 pontas-de-lança, Abel Ruiz e Simon Banza que apareceram no sítio certo a dar sequência a 2 excelentes cruzamentos da figura do jogo, o jovem Roger Fernandes, proporcionaram uma segunda versão da vitória em Berlim.

A aposta na formação que a equipa bracarense tem feito, na criação das infraestruturas, nas equipas técnicas e jovens jogadores foi, mais uma vez, confirmada como a opção certa para o Braga se aproximar do patamar dos maiores clubes portugueses e começar a discutir todos os títulos com cada vez mais possibilidade de os vencer.

O jogo até começou mal para o Sp. Braga, dominado e manietado por uma equipa a necessitar de pontos, que se apresentou sem pressão e com personalidade e capacidade para gerir a posse de bola, a controlar a transição ofensiva do Braga não lhe permitindo na primeira parte criar oportunidades para marcar. Beneficiou da tranquilidade que dá marcar um golo muito cedo, numa excelente jogada coletiva finalizada por Leonardo Ruiz mas teve muito mérito na exibição menos conseguida da equipa da casa nos primeiros 45 minutos.

Na segunda parte, apesar da tentativa de reagir por parte do Braga, o Rio Ave continuou a controlar com uma boa organização defensiva, critério, qualidade e personalidade em posse, mas quebrou nos últimos quinze minutos.

Artur Jorge mexeu e bem na sua equipa, procurou dar velocidade nos corredores, presença na área com a colocação de mais um ponta de lança e clarividência e critério no meio-campo com João Moutinho, mas a cartada decisiva foi a entrada de Roger que com a sua velocidade e capacidade de arranjar espaços para cruzar, ofereceu os 2 golos que deram a vitória à sua equipa. Beneficiou também da quebra física de alguns dos jogadores do Rio Ave que deixaram de ser tão rápidos e rigorosos na transição defensiva e nos duelos na grande área.

É um resultado frustrante para uma equipa que faz um bom jogo e que mesmo privada de poder contratar novos jogadores tem um plantel e uma equipa capaz de conseguir os seus objetivos. Hoje mesmo privado de 2 dos seus principais jogadores, Guga e Joca fez uma boa exibição e merecia pontos.
No Braga notou-se algum degaste, a falta de Ricardo Horta que é muito influente na dinâmica ofensiva da equipa e revelou mais um jovem jogador de grande futuro, Roger Fernandes, principal responsável pela vitória e por um final de jogo digno de Hitchcock.

Bem anulado o 2º golo ao Rio Ave num fora de jogo de difícil análise para o árbitro assistente, mas que foi bem visto pelo VAR. Ukra estava adiantado no início da jogada.


José Augusto Santos, Comentador Desportivo e Treinador de Futebol Nível IV UEFA Pro.

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