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O ASSÉDIO SEXUAL PODE ACABAR EM SUICÍDIO

O assédio sexual consiste em comportamentos de sedução ou coação que criam na vítima uma sensação intimidante, humilhante ou ofensiva. Pode ser posto em prática através de convites inapropriados de cariz sexual, promessas de futuras recompensas em troca de favores sexuais, insinuações, ameaças veladas ou mesmo avanços sexuais explícitos.

“Pode ocorrer em qualquer lugar, na rua, na escola, no trabalho ou até na própria casa e em todos os estratos sociais, desde uma pequena fábrica à indústria de Hollywood. Hoje em dia pode até ocorrer na ausência física do agressor, como acontece com as interacções sociais online”, avisa o especialista Pedro Esteves.

Frequentemente o agressor tem uma posição de poder ou autoridade sobre a vítima seja pela idade, relações sociais, educacionais ou profissionais. “No entanto, pode ser qualquer pessoa, independentemente do sexo e ter com a vítima qualquer tipo de relação (desde patrão a cliente, familiar a desconhecido). A vítima fica muitas vezes constrangida e incapaz de se defender do agressor o que perpetua a situação”, esclarece o médico.

Cerca de 13% da população ativa em Portugal já sofreu, pelo menos uma vez, de assédio sexual no trabalho, tendo sido as mulheres as principais vítimas, de acordo com dados da Unidade Psiquiátrica Privada de Coimbra.

O trabalho é um dos locais com maior frequência de assédio sexual, o que conduz a um ambiente hostil, à diminuição do funcionamento da vítima com ausências ou perda do emprego e desestruturação das suas relações familiares.

Vítima pode desenvolver sintomas graves:

“A vítima de assédio experiência stress, humilhação, vergonha e medo de retaliação, o que se manifesta com várias consequências emocionais. Desenvolve muitas vezes sintomas de ansiedade, depressão, isolamento social, perda de motivação, fadiga, cefaleias e dificuldades de sono e apetite. Quando suficientemente graves estes sintomas podem dar origem a perturbações do humor ou de ansiedade, ataques de pânico, perturbações do sono ou alimentares, alcoolismo, perturbação de stress pós-traumático e ideação suicida”, alerta o psiquiatra.

As vítimas podem ficar culpabilizadas por não conseguir manifestar claramente ao abusador o seu desagrado e recusa. “É importante que tenham alguém da sua confiança que as possa ajudar a lidar com o problema incluindo recolher provas e identificar outras potenciais vítimas do mesmo agressor. A ajuda profissional é muitas vezes necessária para controlar os sintomas emocionais e orientação na gestão dos problemas relacionados com assédio, que podem incluir conflitos familiares, laborais ou outros”, acrescenta o especialista.

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