Ao cair da noite de domingo, Portugal regista um cenário de combate aos incêndios rurais dominado pela complexa situação em Trás-os-Montes, onde o fogo que lavra entre Vila Real e Mondim de Basto continua a ser a principal preocupação para a Proteção Civil. Embora se tenham registado outras ocorrências no país, nenhuma atingiu a dimensão e a gravidade dos incêndios que lavram na Serra do Alvão.
O Ponto Crítico: Vila Real
A situação mais grave concentra-se no incêndio que deflagrou em Siralhelhos (Vila Real) no sábado e que, empurrado pelo vento, alastrou para Gontães, ameaçou a aldeia de Vila Cova e já progrediu para o concelho vizinho de Mondim de Basto.
Ao final da tarde, este incêndio mobilizava ainda perto de 170 operacionais, apoiados por dezenas de viaturas. Durante o dia, a ameaça às habitações em Vila Cova obrigou à retirada preventiva de moradores e a uma forte mobilização da comunidade local, que ajudou no combate e no apoio aos bombeiros. O presidente da Câmara de Vila Real, Alexandre Favaios, denunciou um “ataque ao território”, apontando para mão criminosa na origem dos três focos de incêndio que surgiram no concelho em poucas horas. Os danos na floresta, nomeadamente em áreas de castanheiros e pinhal, são descritos como “incalculáveis”.
Um segundo incêndio, na zona de Torgueda, também em Vila Real, continua ativo mas é considerado menos preocupante pelas autoridades.
Situação no Resto do País
Ao longo do dia, registaram-se outras ocorrências de norte a sul, embora de menor dimensão. Incêndios nos distritos de Leiria, Viseu e Faro foram combatidos pelas autoridades e, na sua maioria, entraram em fase de resolução ou rescaldo ao final da tarde, não apresentando o mesmo nível de ameaça.
A Noite de Combate
Com o cair da noite e a consequente retirada dos meios aéreos, a responsabilidade do combate recai inteiramente sobre os operacionais no terreno. A noite será decisiva para consolidar as linhas de defesa em torno dos perímetros dos incêndios ativos, especialmente em Vila Real, e para evitar reacendimentos, numa altura em que se espera uma ligeira descida da temperatura e um aumento da humidade relativa, que poderão auxiliar os trabalhos.
As autoridades mantêm um apelo à máxima vigilância por parte da população, com grande parte do território continental a permanecer em risco de incêndio elevado a máximo. Um balanço mais concreto da área ardida a nível nacional só será possível com o nascer do dia de segunda-feira.

