Os produtores de castanha de Cova de Lua, no concelho de Bragança, estão em desespero com os repetidos ataques de veados que destroem os seus soutos, acusando o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) de inação. “O ICNF quer os bichos, portanto devia pagar”, desabafou à Lusa Alcino Reis, um dos agricultores afetados, que só nas últimas noites perdeu mais de 30 castanheiros.
A frustração é agravada pela lentidão da resposta das autoridades. O presidente da Junta de Freguesia de Espinhosela, Octávio Reis, revelou que submeteu um pedido de abate de controlo de dois veados a 7 de agosto, mas a autorização, para apenas um animal, só chegou esta segunda-feira, “depois de o prejuízo estar feito”.
O impasse é também financeiro. Legalmente, a responsabilidade de pagar os prejuízos é das entidades gestoras das zonas de caça, mas a junta de freguesia local afirma não ter capacidade para o fazer. Ao mesmo tempo, os produtores queixam-se de que as vedações permitidas pelo ICNF “não têm efeito prático”. “Aquilo e nada é a mesma coisa”, critica David Garcia Fernandes, presidente da Comunidade de Baldios.
Perante a falta de soluções, os produtores temem que a contínua destruição de pomares, soutos e outras culturas leve ao abandono da atividade agrícola. Os líderes locais ameaçam agora contactar diretamente o Governo, convidando os ministros da Agricultura e do Ambiente a visitarem Cova de Lua para “verem com os próprios olhos os estragos”. A Lusa contactou o ICNF, mas ainda aguarda resposta.
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