Quase quatro em cada cinco escolas públicas (78%) iniciaram o ano letivo com, pelo menos, um professor em falta, segundo dados oficiais divulgados esta segunda-feira pelo próprio Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI). O balanço, feito uma semana após o arranque das aulas, revela a existência de 2.410 horários por preencher e contrasta com a garantia deixada pelo ministro Fernando Alexandre de que a esmagadora maioria das escolas teria o corpo docente completo.
Os dados confirmam que a crise de recrutamento se concentra esmagadoramente a sul. Das 38 escolas com mais de 10 horários por preencher, 25 situam-se nas zonas de Lisboa e da Península de Setúbal. As disciplinas com maior carência continuam a ser Informática, Português do 3.º ciclo, Educação Especial e Educação de Infância.
Confrontado com os números, o MECI argumenta que, num universo de 130 mil docentes, é “expectável” que existam sempre horários por preencher. A tutela refere que acelerou o processo de colocação de professores (passando a ser a cada três dias) e aponta como prioridade a resolução de “problemas estruturais” através de um concurso extraordinário e de mais apoios para os docentes deslocados nas zonas mais carenciadas.
A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) contesta a visão do Governo, insistindo que a situação é pior que no ano anterior e que os horários a concurso correspondem a “mais de 100 mil alunos” sem aulas. O MECI contrapõe que este cálculo não é direto, pois os diretores podem recorrer a horas extraordinárias, admitindo, no entanto, que não existe ainda um sistema para contabilizar com exatidão o número de alunos afetados.
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