Emídio Gomes terminou esta terça-feira o seu mandato como reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) para assumir, na quarta-feira, a presidência da Metro do Porto, deixando a academia transmontana mergulhada num impasse institucional. Uma recente decisão judicial anulou a composição do Conselho Geral, o órgão responsável pela eleição do reitor, impedindo, para já, a escolha de um sucessor.
Num comunicado de despedida, Emídio Gomes garantiu deixar uma “casa arrumada” e que não haverá “vazios de poder nem margem para improvisos”, assegurando que os estatutos preveem a continuidade da equipa de gestão. O agora ex-reitor referiu-se aos “focos de conflitualidade latente” e “práticas insidiosas” do recente processo eleitoral, apelando à “sensatez” do Conselho Geral para resolver a situação.
A crise de governação foi despoletada na semana passada, quando o Tribunal Central Administrativo do Norte anulou a eleição dos membros externos do Conselho Geral. O tribunal considerou ilegal a votação por “braço no ar” realizada em março, impondo a sua repetição por voto secreto. Com o órgão por constituir, a eleição do novo reitor fica bloqueada. Tudo indica que a gestão interina será assumida pelo vice-reitor Jorge Ventura.
O último ano do mandato de Emídio Gomes ficou também marcado pela polémica gerada em outubro de 2024, quando o próprio admitiu realizar reuniões à “porta fechada” com alunos para recolher informações pessoais sobre os professores, declarações que na altura foram condenadas por sindicatos e partidos políticos.
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