Com a quase totalidade das freguesias apuradas, o mapa autárquico de Portugal sofreu alterações significativas, refletindo as tendências políticas observadas nas últimas eleições legislativas. O PS, embora o partido mais votado com cerca de 29% dos votos, perdeu algumas câmaras municipais simbólicas e viu a sua hegemonia ser desafiada em vários pontos do país.
Um dos destaques da noite foi o desempenho das coligações que juntaram o PPD/PSD, o CDS-PP e, em alguns casos, a Iniciativa Liberal (IL) e outros partidos mais pequenos. Esta estratégia revelou-se vencedora em cidades de relevo. Em Lisboa, a coligação PPD/PSD.CDS-PP.IL conseguiu cerca de 40,17% dos votos, assegurando a governação da capital. Também no Porto, uma coligação semelhante alcançou a vitória com aproximadamente 37,61% dos votos. Outras vitórias importantes para estas alianças de direita foram registadas em Vila Nova de Gaia e Braga.
Individualmente, o PPD/PSD, em coligação com o CDS-PP ou sozinho, conseguiu cerca de 13,88% e 10,46% dos votos respetivamente, o que, somado, representa uma força considerável no poder local, com a conquista de um número significativo de autarquias.
O Chega foi outro dos vencedores da noite, ao consolidar-se como a terceira força política a nível nacional também no poder local, com 11,72% dos votos. O partido liderado por André Ventura conseguiu eleger os seus primeiros presidentes de câmara, um marco histórico que demonstra a sua crescente implantação no território. No seu discurso, Ventura afirmou que “não era a vitória que queríamos”, sinalizando uma ambição maior, mas reconhecendo o passo significativo dado pelo partido.
À esquerda, a CDU (PCP-PEV) manteve os seus bastiões históricos, embora com 5,67% dos votos a nível nacional, continue a enfrentar desafios para expandir a sua influência. O Bloco de Esquerda e o Livre, que concorreram em várias coligações, não conseguiram vitórias expressivas em termos de presidências de câmara, refletindo a dificuldade dos partidos mais pequenos em se imporem numas eleições tradicionalmente mais polarizadas.
Os movimentos de cidadãos independentes também tiveram um papel relevante, conquistando a presidência de diversas câmaras municipais e demonstrando o descontentamento de uma fatia do eleitorado com os partidos tradicionais.
A afluência às urnas situou-se nos 59,47%, o que significa que mais de 3,5 milhões de eleitores optaram pela abstenção, um número que continua a merecer uma reflexão aprofundada por parte de todos os agentes políticos.
A noite eleitoral de 12 de outubro de 2025 redesenha o mapa do poder local em Portugal, com um PS que, apesar de ainda ser o maior partido autárquico, sente a pressão de uma direita que, unida, consegue vitórias importantes, e de um Chega que se afirma de forma inequívoca como um ator relevante no panorama político local. Os próximos quatro anos serão um teste à capacidade de governação das novas maiorias e à reorganização das forças que saíram derrotadas.
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