A crise dos ataques de lobos no Planalto Mirandês conheceu um novo e preocupante episódio esta terça-feira, com um pastor de Vilar Seco, no concelho de Vimioso, a perder três ovelhas, ter uma desaparecida e outras sete com ferimentos “muito graves”. O ataque, que Isidro Fernandes acredita ter sido obra de “pelo menos quatro lobos”, terá ocorrido durante o dia e a cerca de 100 metros da sua casa.
“Verifiquei no meu terreno lavrado que havia pegadas de pelo menos quatro lobos”, contou o pastor à Lusa, explicando que os animais “saltaram a vedação” onde estavam as ovelhas prenhas. O facto de o ataque ter ocorrido entre as 06:00 e as 18:00 de terça-feira, e a proximidade à aldeia, agrava a sensação de insegurança. “Os ataques têm acontecido com muita frequência […] Há que fazer alguma coisa, porque andamos a trabalhar e não sabemos para quem”, relatou Isidro Fernandes.
Este é já o quinto ataque de lobos reportado no Planalto Mirandês (concelhos de Vimioso e Miranda do Douro) em pouco mais de um mês, um cenário que está a “sobressaltar” os produtores locais. Segundo especialistas, a falta de alimento na floresta, agravada pelos incêndios, e a natureza territorial do lobo (espécie protegida em Portugal) podem estar na origem desta intensificação.
O ataque já foi comunicado à GNR e ao Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF). A questão das indemnizações continua a ser um ponto de discórdia, com os produtores a queixarem-se dos baixos valores pagos pelo Estado, que, mesmo com a recente revisão anunciada no programa “Alcateia 2025-2035”, ficam aquém do valor real dos animais perdidos.
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