A campanha da castanha já arrancou nos concelhos de Bragança e Vinhais, os maiores produtores do país, mas com um atraso de duas semanas que está a gerar apreensão. Produtores contactados esta quinta-feira pela Lusa relatam que a qualidade do fruto é boa, mas o calibre é “muito reduzido” e antecipam-se quebras significativas na produção, que em alguns soutos podem chegar aos 50%.
“Os castanheiros tomaram muito ouriço, então as castanhas são miúdas, não têm o calibre que têm nos outros anos”, explicou Artur Fonseca, produtor de Vinhais, que teme que muitos ouriços ainda verdes estejam ocos. “A produção vai ser um bocadinho mais fraca em termos de castanha com calibre”, lamenta.
Em Bragança, o cenário é idêntico. Pedro Santos prevê uma quebra de “50%” nalguns soutos. “Tenho vários soutos que os ouriços estão tão pequenos, que não têm castanha”, contou, atribuindo a situação à “falta de chuva desde junho e às vagas de calor”.
Apesar dos receios sobre a quantidade, a qualidade é um ponto positivo, ao contrário do que aconteceu há dois anos, quando um fungo provocou a podridão do fruto. No entanto, o preço atual, a rondar os dois euros ao quilo, não agrada. “A castanha está melhor este ano e está a ser um bocadinho mal paga”, criticou Paulo Afonso, produtor de Vinhais.
Mais grave do que a campanha deste ano é o futuro dos soutos. Vários produtores relatam que a seca prolongada está a matar castanheiros adultos. “Estes castanheiros, está tudo seco”, alertou José Carlos Rodrigues, um dos maiores produtores de Bragança. “Quando estes castanheiros que estou a pôr novos virem a dar a produção daqueles, eu já não estou cá, já é para os netos”, desabafou, sublinhando a ameaça a longo prazo para uma cultura que gera milhões de euros na região.
Redação c/ Lusa

