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GOVERNO MUDA REGRAS DAS INDEMNIZAÇÕES POR ATAQUES DE LOBOS

O Governo aprovou esta quinta-feira a atualização das regras de pagamento de indemnizações aos produtores pecuários por danos causados por ataques de lobos, numa resposta direta à escalada de conflitos reportada em várias zonas do país, nomeadamente em Trás-os-Montes.

O anúncio foi feito pelo ministro da Presidência, António Leitão Amaro, na conferência de imprensa após o Conselho de Ministros. O governante reconheceu que “têm crescido os ataques de lobo ibérico” a explorações pecuárias e sublinhou a necessidade de “cuidar daqueles que sofrem com a existência dessa proteção”.

“Para podermos ter esta proteção, temos também que cuidar daqueles que sofrem […] com este impacto que resulta para eles pontualmente, mas que é grave, quando lhes bate à porta, de terem os seus animais mortos por lobo ibérico”, salientou Leitão Amaro.

O ministro defendeu uma política de “equilíbrio”, distanciando-se de posições extremas. “Nem é ecofundamentalismo, nem é econegacionismo. É equilíbrio. Queremos proteger o ambiente, queremos proteger as espécies animais […] e as condições de vida das pessoas”, sustentou.

Esta revisão das indemnizações insere-se no âmbito do “Programa Alcateia 2025-2035”, um plano mais vasto do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) que visa reverter o declínio do lobo (espécie protegida com estatuto de “em perigo” em Portugal).

O programa, focado na região Norte mas com extensão ao interior Sul, tem como um dos principais objetivos “reduzir o conflito” com as atividades humanas. Para além de “melhorar e agilizar o sistema de compensação de prejuízos”, o plano prevê a promoção de presas selvagens (como o corço) para diminuir a pressão sobre o gado, a recuperação de corredores ecológicos com Espanha e o reforço da fiscalização contra “atividades ilegais”, como o uso de laços e veneno.

A decisão do Governo surge após semanas de protestos e queixas de pastores do Planalto Mirandês, que, em declarações à Lusa, classificaram a situação de ataques “quase diários” como uma “calamidade insuportável”.


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Redação

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