O concurso público internacional para a construção da ponte Vimioso-Carção, uma obra de 30 milhões de euros considerada vital para o Planalto Mirandês, ficou deserto. A Infraestruturas de Portugal (IP) confirmou esta quinta-feira que não foram apresentadas propostas válidas para a empreitada, uma notícia que o presidente da Câmara de Vimioso, António Santos, classificou como “lamentável”.
O autarca social-democrata mostrou-se crítico do processo, questionando se “todos os procedimentos para este concurso público foram acautelados”. Em declarações à Lusa, António Santos expressou a “revolta e desencanto” da região. “Há dezenas de anos que esperamos por esta ligação”, enfatizou, sublinhando que a obra é crucial não só para Vimioso, mas também para Mogadouro, Miranda do Douro e Freixo de Espada à Cinta.
Na sequência do falhanço do concurso, o autarca deixou um recado ao Governo e à IP, que em julho tinham anunciado o projeto como prioritário: “Esperamos mais ação e menos promoção, e mais obra e menos palavra”.
Contactada pela Lusa, a IP confirmou o fracasso do concurso para a empreitada na Estrada Nacional 218 e garantiu que irá “ajustar os procedimentos prévios necessários para, com a maior brevidade possível, promover o lançamento de um novo concurso público”, sem, no entanto, avançar com datas.
Este é mais um revés num projeto que se arrasta há mais de 25 anos. A ideia original, de 1998, foi abandonada em 2009 devido a pareceres ambientais negativos relacionados com a presença de uma colónia de ratos-de-cabrera. A solução alternativa, esta ponte sobre o rio Maças, só viu o concurso ser lançado em junho deste ano, após o Governo ter autorizado a despesa de 30 milhões de euros em abril.
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