A análise à derrota do PSD nas eleições autárquicas de 12 de outubro, em Bragança, transformou a Assembleia da Concelhia do último fim-de-semana num verdadeiro campo de batalha. O que deveria ser uma reflexão interna evoluiu para um confronto direto entre dois “pesos pesados” do partido: o atual presidente da Distrital, Hernâni Dias, e o seu antigo mentor, Jorge Nunes.
A Rádio Regional sintetizou – naquilo que é relevante para o interesse público – a crónica de uma “zanga de comadres” num PSD em crise.
O ataque de Hernâni Dias
O ambiente aqueceu quando Hernâni Dias quebrou o silêncio para responsabilizar figuras históricas do partido pelo desaire de Paulo Xavier perante a socialista Isabel Ferreira. Dias acusou Jorge Nunes de não ter apoiado a candidatura “laranja”, dividindo o partido, e apontou especificamente o caso da freguesia do Zoio — ganha pelo PSD por apenas um voto — onde Nunes alegadamente não teria dado o suporte necessário.
Apesar de acompanhado por um coro de críticas de outros militantes, as acusações de Hernâni Dias basearam-se em rumores, sem que fossem apresentadas provas factuais da alegada “traição” de Jorge Nunes.
O contra-ataque de Jorge Nunes
Longe de ficar em silêncio, Jorge Nunes devolveu as acusações com dureza, responsabilizando diretamente Hernâni Dias e o próprio candidato, Paulo Xavier, pela perda da Câmara. Para o histórico autarca, as causas da derrota são claras e nada têm a ver com falta de apoio interno.
Nunes apontou o dedo à fraca “competência” de Paulo Xavier enquanto autarca e, num momento de maior tensão, sublinhou o peso negativo que as várias investigações judiciais em que Hernâni Dias está envolvido tiveram no julgamento do eleitorado. Mas não se ficou por aqui.

A imposição de um “candidato mal-amado”
Para compreender a dimensão deste conflito, é necessário recuar ao início de 2025. Segundo apurou a Rádio Regional, a escolha de Paulo Xavier esteve longe de ser pacífica. Quando nos corredores do partido o nome de Sobrinho Teixeira surgia como o preferido, foi a influência direta e pessoal de Hernâni Dias que segundo militantes do PSD impôs um regime de “paz podre” conduzindo Paulo Xavier a “candidato”.
Jorge Nunes não deixou de recordar este facto, lembrando nas entrelinhas que o que “nasce torto, tarde ou nunca se endireita”, atribuindo assim a génese da derrota à teimosia do atual líder da Distrital em promover um candidato que começou como um “patinho feio” e que nunca reuniu verdadeiro consenso.
A polémica do Zoio “sem provas”
Um dos momentos de maior tensão prendeu-se com a votação na freguesia do Zoio, onde o PSD venceu por apenas um voto. Hernâni Dias terá censurado Jorge Nunes por não ter apoiado ativamente a lista do partido nesta freguesia.
A confusão instalou-se na sala quando outros militantes se juntaram às críticas ao antigo autarca. No entanto, o tom acusatório, classificado por alguns presentes como um coro de “diz que diz”, não foi substanciado por provas concretas, nem por parte de Hernâni Dias, nem dos restantes militantes que intervieram contra Jorge Nunes.
Recordamos os resultados eleitorais na freguesia de Zoio: (PSD)
- PS – 45,53 % – 56 votos
- NTB – 3,25% – 4 votos
- IL – 1,63% – 2 votos
- CH – 0% – 0 votos
- PCP-PEV – 0% – 0 votos
- EM BRANCO –
- NULOS – 1
A Rádio Regional contactou Hernâni Dias que se recusou a comentar o confronto com o seu antecessor Jorge Nunes.


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