A presidente da Câmara Municipal de Bragança, Isabel Ferreira, exigiu esta quinta-feira, 5 de dezembro, uma intervenção direta do Governo para impedir que o interior do país fique sem jornais. A reação surge após a VASP, empresa responsável pela distribuição, ter anunciado que está a avaliar “ajustamentos” em oito distritos, incluindo Bragança e Vila Real, devido à quebra de vendas e aumento de custos.
“É algo que não deve mesmo acontecer”, afirmou a autarca socialista à Lusa, reconhecendo que, embora a operação não seja rentável do ponto de vista económico, deve prevalecer o interesse público. “O Estado português tem a obrigação de fazer as compensações necessárias para que esta distribuição continue a ser feita”, defendeu, classificando o acesso à informação como um “garante e um pilar da democracia”.
A VASP alertou que a sustentabilidade da distribuição diária está “sob forte pressão”, especialmente no interior. Os distritos em risco são Beja, Évora, Portalegre, Castelo Branco, Guarda, Viseu, Vila Real e Bragança.
Isabel Ferreira rejeita a lógica dos números: “Se o critério for a densidade populacional […] então nós vamos sempre ser perdedores, porque é uma pescadinha de rabo na boca”. A autarca sublinha que “mesmo que haja uma única pessoa num determinado território, essa pessoa tem o direito de ter acesso a essa informação”.
O problema não é novo. Já em 2024 a VASP tinha ameaçado cortar a distribuição em concelhos como Vimioso e Freixo de Espada à Cinta. Na altura, o Governo prometeu um concurso público para garantir o serviço, mas o processo tem sofrido atrasos sucessivos.
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