O Executivo Municipal de Bragança aprovou hoje um ambicioso pacote estratégico que promete redefinir o futuro do concelho até 2029. As Grandes Opções do Plano (GOP) para o novo ciclo autárquico preveem um investimento global de 60 milhões de euros, desenhando uma estratégia que a autarca Isabel Ferreira classifica como a transformação de Bragança num “Laboratório Vivo de Desenvolvimento Inteligente”.
Este documento estrutural, que será submetido à Assembleia Municipal no próximo dia 29 de janeiro, não se limita à gestão corrente. Do montante global, 21 milhões de euros estão diretamente alocados ao Plano Plurianual de Investimentos (PPI), sinalizando uma forte aposta na obra física e na modernização de infraestruturas, enquanto 7,8 milhões reforçam o Plano Municipal de Atividades. A estratégia assenta em dois pilares fundamentais: “Bragança Inovadora”, focada na ciência e empreendedorismo, e “Bragança Criativa”, orientada para a cultura e património.
Entre as obras mais emblemáticas agora anunciadas, destaca-se a expansão do Brigantia Ecopark, que visa consolidar a cidade como um polo tecnológico no interior, e uma intervenção profunda no parque escolar. O centro da cidade também mudará de rosto com a requalificação da Praça Camões, a par de uma aposta verde que inclui o novo Parque Verde da Coxa e a valorização do Monte de S. Bartolomeu. A eficiência energética não foi esquecida, com obras previstas nos terminais rodoviário e do aeródromo municipal.
Contudo, a grande surpresa política deste orçamento reside no “reforço histórico” da descentralização. O Município vai transferir 3,37 milhões de euros para as 39 Juntas e Uniões de Freguesia, o que representa um aumento impressionante de 125% face a 2025. Esta injeção de capital visa dotar as freguesias de autonomia para obras de proximidade, saneamento e apoio social, reconhecendo os autarcas locais como o primeiro elo da coesão territorial.
A execução deste plano ambicioso está fortemente alicerçada na captação de fundos europeus do PT2030. Para tal, a autarquia criou uma nova Divisão de Fundos Europeus e Planeamento Estratégico, garantindo que o investimento municipal é alavancado por financiamento comunitário. Isabel Ferreira reforça que, para além do betão, há uma aposta na “obra imaterial” — cultura, tradições e literacia — para fixar população e atrair talento.

