Várias associações de produtores de gado do Norte de Portugal foram ouvidas esta quinta-feira na Comissão de Agricultura e Pescas da Assembleia da República, onde alertaram para os danos crescentes causados pelo lobo ibérico.
Representantes da UPGALL, ACOB, ACERG e da Associação de Criadores da Raça Churra Galega Mirandesa sustentaram que a proteção desta espécie não pode ser feita em prejuízo da pecuária tradicional e das raças autóctones, que constituem um património genético nacional.
Além do aumento do número de ataques, os criadores criticaram a “teia burocrática” que dificulta o acesso às indemnizações do Estado, relatando casos em que apenas metade dos animais mortos são efetivamente pagos.
Os grupos parlamentares do PSD, PS, Chega, Livre e PCP mostraram-se recetivos às queixas, defendendo a agilização dos processos de averiguação e compensação. Atualmente, o Programa Alcateia 2025-2035 dispõe de um orçamento de 3,3 milhões de euros para 2026, cobrindo cerca de 300 animais distribuídos por 58 alcateias.
Embora o Governo tenha anunciado a duplicação dos valores das indemnizações, os produtores insistem que a prevenção e o apoio direto no terreno são fundamentais para evitar o abandono da atividade rural no Norte e Centro do país.

