O Ministério Público de Bragança decidiu arquivar os inquéritos criminais abertos após a morte de dois idosos, em outubro e novembro de 2024, no contexto da greve dos técnicos de emergência do INEM. No primeiro caso, relativo a um homem de 86 anos que sofreu um enfarte, confirmou-se um intervalo de 48 minutos entre a chamada para o 112 e o acionamento dos meios.
Já no segundo incidente, ocorrido em Mogadouro, um homem de 84 anos morreu após se engasgar num restaurante, numa altura em que duas chamadas para o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) não foram sequer atendidas.
Apesar das falhas no socorro, os despachos de arquivamento sustentam que não é possível estabelecer uma relação direta entre o atraso e o falecimento. No caso do enfarte, a procuradora defendeu que o desfecho seria provavelmente idêntico mesmo que a situação ocorresse dentro de um hospital.
Relativamente ao óbito em Mogadouro, a investigação concluiu que, dadas as regras de experiência e os tempos de transporte, dificilmente o atendimento célere teria evitado a morte, desvalorizando assim o impacto criminal da ausência de resposta imediata do INEM.

