Uma análise realizada com base em dados brutos do portal do Serviço Nacional de Saúde revela que, durante o ano de 2025, um total de 108 mil doentes triados com pulseira amarela abandonaram as urgências hospitalares sem alta médica ou observação. De acordo com o levantamento efetuado, os hospitais de Amadora-Sintra, Garcia de Orta e Beatriz Ângelo apresentam os indicadores mais críticos de tempo de espera e de desistência de utentes.
No Hospital Fernando Fonseca, na Amadora, o tempo médio de espera para casos urgentes subiu de 112 minutos em 2023 para 238 minutos em 2025, aproximando-se das quatro horas de demora. Esta degradação do serviço acompanhou uma subida na taxa de abandono, que passou de 7,5% para 12,9%. Já nos primeiros quatro meses de 2026, os dados apontam para um novo agravamento, com a taxa de desistência a fixar-se nos 14,8% naquela unidade.
O Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, registou o segundo pior tempo médio de espera nacional, com 222 minutos. Confrontado com estes indicadores, o Ministério da Saúde relativizou a gravidade da situação. Em comunicado, o gabinete da ministra Ana Paula Martins sublinhou que se verifica uma redução sustentada de 18% nos tempos de espera globais a nível nacional face a 2023.
A tutela reiterou ainda que os doentes classificados com pulseira amarela, embora considerados urgentes, não apresentam risco de vida imediato, enquadrando as estatísticas de abandono na gestão regular dos fluxos das unidades hospitalares do país.

