O relatório anual de 2025 da Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância (ECRI) revela uma tendência preocupante no aumento do discurso de ódio, afetando crianças e jovens como vítimas e difusores. O documento, que abrange 41 países, incluindo Portugal, aponta o ambiente escolar e as plataformas digitais como os principais focos de propagação destas narrativas discriminatórias.
A ECRI sublinha que os professores não estão suficientemente preparados para gerir situações de conflito e discurso de ódio em sala de aula. O relatório exemplifica com as discussões sobre o Médio Oriente, que resultaram numa quebra de empatia entre alunos. Em vez de limitar o debate, a comissão recomenda o fortalecimento da educação em direitos humanos e da literacia mediática como ferramentas de convivência intercultural.
O xenofobismo permanece como a tipologia mais expressiva, mas abundam casos de discriminação por motivos religiosos, orientação sexual e identidade de género. Estrangeiros, comunidades ciganas e muçulmanos surgem como os principais alvos, especialmente em contextos eleitorais.
No domínio digital, o anonimato nas redes sociais dificulta a fiscalização e punição. A comissão defende uma maior cooperação entre autoridades, empresas tecnológicas e sociedade civil para moderar conteúdos, garantindo o equilíbrio com a liberdade de expressão e a proteção de ativistas que enfrentam ameaças físicas de grupos extremistas.

