Passado um ano sobre o incêndio que devastou cerca de seis mil hectares na serra do Alvão, entre Vila Real e Mondim de Basto, o território inicia um processo de regeneração natural e económica, marcado pela instalação de novos sistemas de videovigilância e pelo regresso dos visitantes.
Um ano após o incêndio que devastou 5.947 hectares na serra do Alvão, a paisagem entre Vila Real e Mondim de Basto apresenta sinais de regeneração. O verde começa a substituir o manto negro deixado pelas chamas em agosto de 2025, embora as cicatrizes ambientais permaneçam profundas. No Parque Natural do Alvão, onde mais de 1.600 hectares foram afetados, o renascimento dos pastos é fundamental para a sobrevivência das comunidades locais e da economia pecuária tradicional.
Carlos Peixoto, um dos poucos pastores que resistem na aldeia de Arnal, descreve um quotidiano de vigilância constante sobre o seu rebanho de 75 cabras. Apesar do regresso da vegetação, o gado ainda regressa à corte marcado pela cinza que cobre o solo. A diminuição drástica do número de animais e de residentes na região é uma preocupação central, visto que o pastoreio desempenhava um papel crucial na limpeza natural dos matos e na prevenção de incêndios de grandes dimensões.
Para mitigar os danos, as autoridades implementaram medidas de proteção contra a erosão em áreas de elevada inclinação e nas linhas de água. A retirada de madeira queimada e a sementeira com recurso a drones foram algumas das ações imediatas. O foco atual reside na reflorestação com espécies autóctones, visando uma recuperação resiliente do ecossistema a longo prazo, num processo que os autarcas admitem ser moroso e dependente de alterações legislativas sobre o ordenamento do território.

