Um inquérito do Banco de Portugal revela que as instituições bancárias nacionais endureceram os critérios para a concessão de crédito à habitação no segundo trimestre de 2026, citando incertezas nas perspetivas económicas e do mercado imobiliário.
O mais recente Inquérito aos Bancos sobre o Mercado de Crédito, divulgado pelo Banco de Portugal, indica uma mudança de paradigma na política de risco das instituições financeiras. Segundo o relatório, os critérios de concessão de empréstimos para a compra de casa tornaram-se mais restritivos entre abril e junho de 2026. Esta cautela acrescida da banca deve-se, sobretudo, à deterioração das perspetivas económicas globais e às expectativas de evolução dos preços no mercado da habitação.
A par do aperto nos critérios, o supervisor registou uma ligeira redução na procura por novos empréstimos hipotecários. Este fenómeno é atribuído não só ao aumento das taxas de juro em períodos anteriores, mas também à prudência dos próprios consumidores face ao custo de vida. No entanto, o Banco de Portugal sublinha que o mercado continua dinâmico, com os bancos a manterem spreads competitivos em determinados segmentos para atrair clientes de baixo risco.
Este cenário antecede a entrada em vigor de novas regras de supervisão, agendadas para 1 de agosto, que visam travar o rácio máximo de endividamento em função do rendimento das famílias. O objetivo desta medida macroprudencial é evitar o sobreendividamento num contexto de potencial correção de preços imobiliários. O supervisor antecipa que a tendência de restritividade possa manter-se ou intensificar-se ligeiramente no terceiro trimestre do ano, refletindo a volatilidade geopolítica que continua a influenciar o custo do financiamento na Zona Euro.

