Uma nova plataforma tecnológica baseada em Inteligência Artificial, denominada SIION, começou hoje a ser testada em ambiente operacional em Portugal. O sistema promete revolucionar a tomada de decisão estratégica no combate a fogos florestais, antecipando o comportamento das chamas com elevada precisão.
A plataforma SIION, desenvolvida pelo investigador português João Santos, entrou hoje numa fase crítica de testes operacionais. Descrita pelo seu criador à Agência Lusa como um “supermodelo de combate a incêndios”, esta ferramenta recorre a algoritmos avançados de Inteligência Artificial para processar dados meteorológicos, topográficos e de carga de combustível em tempo real.
O principal objetivo do sistema é auxiliar os comandantes de operações de socorro na antecipação da propagação dos incêndios, permitindo uma distribuição mais eficaz dos meios terrestres e aéreos. Ao contrário dos modelos tradicionais, o SIION utiliza aprendizagem automática para ajustar as suas previsões à medida que recebe novos dados das frentes de fogo, conseguindo projetar cenários com uma margem de erro reduzida. “A ferramenta ajuda na tomada de decisão rápida, crucial nos primeiros minutos de uma ignição”, explicou João Santos.
Este projeto surge num momento em que Portugal enfrenta condições meteorológicas adversas, com mais de 50 concelhos em risco máximo de incêndio. A tecnologia foi desenvolvida com o apoio de especialistas em proteção civil e engenharia informática, visando dotar as autoridades de uma vantagem estratégica sobre os incêndios rurais. Os testes decorrerão durante o período mais crítico do verão, com a monitorização direta das estruturas de comando. Se os resultados forem positivos, a plataforma poderá ser integrada de forma permanente na rede nacional de proteção civil, consolidando Portugal como uma referência internacional no uso de tecnologia aplicada à segurança florestal.

