ALTO DOURO: PROSPEÇÃO MINERAL COLOCARIA EM ‘RISCO’ QUINTA CENTENÁRIA

A centenária Quinta do Vale Meão, em Foz Côa, manifestou hoje “surpresa” e “preocupação” com o pedido para direitos de prospeção e pesquisa mineral no Alto-Douro Património Mundial, alvo de alertas do ICOMOS, órgão consultor da Unesco.

ALTO DOURO: PROSPEÇÃO MINERAL COLOCARIA EM 'RISCO' QUINTA CENTENÁRIA

ALTO DOURO: PROSPEÇÃO MINERAL COLOCARIA EM 'RISCO' QUINTA CENTENÁRIA

A centenária Quinta do Vale Meão, em Foz Côa, manifestou hoje “surpresa” e “preocupação” com o pedido para direitos de prospeção e pesquisa mineral no Alto-Douro Património Mundial, alvo de alertas do ICOMOS, órgão consultor da Unesco.

“Desconhecemos o que está em causa, em que medida nos afeta e por que motivo o ICOMOS refere em concreto que pode estar em perigo a Quinta do Vale Meão”, disse à Lusa Francisco Olazabal, sócio-gerente da propriedade com 110 hectares de vinha e 40 de olival, situada em Vila Nova de Foz Côa, distrito da Guarda.

O responsável lamentou alguma “leviandade” na condução de um processo “opaco”, notando não ter sido contactado por qualquer entidade, designadamente para participação na consulta pública, já concluída, relativa aos dois pedidos para direitos de prospeção numa área superior a 500 hectares, publicados em Diário da República [DR] em abril e maio.

“Não lemos o DR todos os dias”, observou, lamentando que o processo não esteja disponível ‘online’ para consulta.

O ICOMOS, Conselho Internacional da UNESCO, considerou que os projetos de prospeção de minérios no Alto-Douro Vinhateiro (ADV) são uma “agressão irreversível” àquele Património Mundial, implicando proibir a cultura da vinha e perder a classificação, segundo um documento a que a Lusa teve acesso na terça-feira.

A concederem-se os direitos de prospeção de minérios, “estarão em perigo várias áreas de singular importância paisagística, nomeadamente na zona de foz Tua (ambas as margens do Douro), no planalto de Favaios, nas encostas do Castedo, ou a secular Quinta do Vale Meão”, alerta o ICOMOS.

Aquele organismo justifica o aviso por estar “em fase de atribuição de direitos de prospeção e pesquisa de depósitos minerais de ouro, prata, chumbo zinco, cobre, lítio, tungsténio, estanho e outros depósitos de minerais ferrosos e minerais metálicos associados”, numa área superior a 500 quilómetros quadrados.

A zona abrange os concelhos de Alijó, Carrazeda de Ansiães, São João da Pesqueira, Sabrosa, Torre de Moncorvo, Vila Flor e Vila Nova de Foz Côa.

Francisco Olazabal observa que, a avançar, esta prospeção será “mais uma coisa a juntar à autoestrada que esteve para passar em cima” da Quinta e do “gasoduto que ia atravessar a propriedade”, que completou já 130 anos.

“A nossa maior riqueza não está debaixo de terra, mas na superfície, ainda por cima estando numa zona classificada como Património Mundial”, defendeu.

De acordo com o DR, foi requerida pela Fortescue Metals Group Exploration Pty Ltd., “a atribuição de direitos de prospeção e pesquisa de depósitos minerais”, um deles para a área denominada “Castelo”, localizada no concelho de Alijó, Carrazeda de Ansiães, São João da Pesqueira e Sabrosa.

O outro, referente à zona denominada Cabacos, situa-se nos concelhos de “Carrazeda de Ansiães, Torre de Moncorvo, São João da Pesqueira, Vila Flor e Vila Nova de Foz Côa”.

Os deputados do PSD questionaram na terça-feira o Governo sobre se já comunicou à UNESCO a intenção de concessionar a pesquisa e prospeção de minerais em mais de 500 quilómetros quadrados do Alto Douro Vinhateiro (ADV), Património Mundial.

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