O bispo de Bragança-Miranda, D. Nuno Almeida, classificou a violência doméstica como uma “inquietante epidemia” e apelou à sociedade civil para que denuncie estes crimes às autoridades. O alerta foi deixado este domingo, durante a homilia da Missa de encerramento do Jubileu na diocese, celebrada na Catedral de Bragança.
Estatísticas preocupantes em 2025
Citando dados recentes, o prelado destacou a gravidade da situação no país. Entre janeiro e setembro de 2025, registaram-se 18 vítimas mortais em contexto de violência doméstica (16 mulheres e dois homens). No mesmo período, as forças de segurança contabilizaram 25.327 ocorrências, o valor mais elevado dos últimos sete anos.
D. Nuno Almeida sublinhou ainda que, atualmente, mais de 6000 vítimas utilizam o “botão de pânico” e mais de 1000 agressores encontram-se em meio prisional. Para o bispo, estes números são sintomas de uma “profunda crise do matrimónio” e do relacionamento conjugal, distinguindo-a de uma crise da instituição familiar em si.
Família como “laboratório de sinodalidade”
Na celebração, que coincidiu com a Festa da Sagrada Família, o responsável católico defendeu a família como um espaço de “amor conjugal, maternal e paternal”, pedindo que esta não seja contaminada pelo “egoísmo e individualismo”. D. Nuno Almeida exortou os fiéis a verem a família como um “laboratório de sinodalidade”, onde deve prevalecer a escuta empática e o diálogo.
Encerramento do Jubileu
A cerimónia marcou o fim do Ano Santo nas dioceses, um evento convocado pelo Papa Francisco. O 27.º Jubileu ordinário da Igreja Católica terá a sua conclusão definitiva a 6 de janeiro de 2026, no Vaticano, com o fecho da Porta Santa na Basílica de São Pedro.

