Um estudo do Instituto Nacional de Estatística revela que cerca de uma em cada quatro mulheres empregadas com responsabilidades familiares alterou a sua atividade profissional para prestar cuidados. A diferença entre géneros atinge os onze pontos percentuais neste indicador de conciliação.
Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística divulgados esta terça-feira, a gestão entre a vida laboral e a prestação de cuidados familiares continua a evidenciar disparidades significativas de género. Enquanto oitenta e seis por cento dos homens inquiridos afirmam não ter realizado qualquer alteração na sua vida profissional devido a estas responsabilidades, apenas setenta e cinco por cento das mulheres se encontram na mesma situação. No conjunto global de trabalhadores com idades entre os dezoito e os setenta e quatro anos com dependentes a cargo, a grande maioria não reportou mudanças na sua atividade motivadas por estas obrigações.
Entre a percentagem de profissionais que identificou efeitos práticos na sua carreira, a alteração do horário de trabalho, sem modificação da carga horária contratual, foi a medida mais frequente. Esta tendência foi particularmente visível entre o universo feminino, residentes na região do Algarve e trabalhadores com ensino superior. Outros ajustes reportados incluíram a mudança de empregador ou a redução efetiva do período normal de trabalho, situações que voltam a apresentar maior incidência entre as mulheres do que entre os homens.
Quanto aos obstáculos à conciliação, o horário de trabalho longo surge como a dificuldade mais mencionada, seguida pela imprevisibilidade dos turnos. No grupo das mulheres, as jornadas prolongadas e o cansaço físico são as principais barreiras. Já os homens destacam a atipicidade dos horários como o principal entrave ao equilíbrio.

