O número de consumidores de drogas a nível global ultrapassou os 330 milhões em 2025, representando 6,2% da população mundial entre os 15 e os 64 anos. Segundo o Relatório Mundial sobre Drogas da ONU, registou-se um aumento de 34% na prevalência de consumo ao longo da última década.
O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) destaca que, embora o crescimento populacional e a melhoria na recolha de dados influenciem as estatísticas, existe uma subida real na prevalência do consumo. As Américas e a Ásia concentram o maior número de utilizadores, com 105 milhões cada, mas a Oceânia apresenta a taxa de prevalência mais elevada, atingindo os 15,5%. A canábis permanece como a substância mais difundida, sendo utilizada por 256 milhões de pessoas, o que traduz um crescimento de 40% em dez anos, com especial incidência na América do Norte.
O mercado de opiáceos, que abrange 63 milhões de utilizadores, sofreu transformações estruturais após a proibição do cultivo de papoila no Afeganistão pelo regime talibã em 2022. Esta medida provocou uma escassez global de ópio e heroína, levando à estabilização do consumo através da transição para opioides sintéticos. Novas substâncias sintéticas, como nitazenos e órfinas, significativamente mais potentes que a morfina ou o fentanil, estão a disseminar-se na Europa Ocidental, Central e em África.
Relativamente a outros estupefacientes, as anfetaminas ocupam o terceiro lugar com 32 milhões de utilizadores. Contudo, a cocaína demonstra uma trajetória de crescimento acentuada, com cerca de 25 milhões de consumidores em 2024, um aumento de 38% face à década anterior. O relatório enfatiza que a maioria dos padrões de consumo é ocasional, mas alerta para o aumento contínuo da disponibilidade e da potência das substâncias sintéticas em circulação nos mercados internacionais.

