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COVID-19: PANDEMIA PROVOCA QUEBRA DE 595 ME NO DESPORTO EM PORTUGAL EM 2020

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Os comités olímpico e paralímpico de Portugal e a Confederação do Desporto divulgaram hoje um estudo que atesta uma quebra estimada de 595 milhões de euros de valor acrescentado bruto em 2020, uma redução de 12% comparativamente a 2019.

O estudo, apresentado na Tribuna de Honra do Centro Desportivo Nacional do Jamor, realizado pela consultora PwC, pretende espelhar os impactos totais da pandemia de covid-19 no desporto nacional.

De acordo com a análise efetuada e solicitada pelo Comité Olímpico de Portugal, Comité Paralímpico de Portugal e Confederação do Desporto de Portugal, a pandemia terá implicado, no ano passado, um decréscimo de cerca de 595 milhões de euros em termos de valor acrescentado bruto e uma perda a rondar os 16 mil postos de trabalho, em relação aos dados de 2019.

Numa apresentação que contou com a presença de várias entidades e representantes de diversas federações, José Manuel Lourenço, presidente do Comité Paralímpico de Portugal, defendeu que este estudo “simboliza a discriminação que o desporto foi alvo”.

“Faltaram apoios do Governo, mas o mesmo não se pode dizer das autarquias e convém sublinhar que ao nível dos contratos programa foram rigorosamente cumpridos. O problema atingiu quem não tem voz, os clubes e movimento associativo mais pequeno, e não o alto rendimento. Os custos e o impacto não foram sobre a alta competição, embora vá ter reflexos nos próximos anos”, alertou José Manuel Lourenço.

Uma opinião partilhada pelo presidente do Comité Olímpico de Portugal, José Manuel Constantino, que considera ser uma consequência “da generalidade das políticas europeias”, uma vez que a “participação financeira das autarquias junto do movimento associativo é, nos países europeus, sempre superior à dos governos”.

“A diferença em Portugal é que a percentagem que os governos têm para esse apoio é significativamente inferior em cerca de 40% daquilo que é a média de apoio europeu, dos governos centrais às suas políticas desportivas. E isso é que penaliza de forma muito severa o sistema desportivo português. Pelo contrário, o papel das autarquias tem sido muito relevante e aqui estão em falta as políticas centrais do governo”, explicou José Manuel Constantino.

Tal como José Manuel Lourenço, o presidente do Comité Olímpico de Portugal acredita que os “impactos mais severos foram no tecido associativo de base, nas organizações com menos capacidade económica e com menos capacidade técnica instalada”.

“Foram esses os que mais sofreram. E são essas, maioritariamente, que precisam de ter apoios públicos para poderem sobreviverem, recuperarem e desenvolverem as suas atividades”, sublinhou.

Já Carlos Paula Cardoso, presidente da Confederação do Desporto de Portugal, lembra que o desporto “ainda não recuperou financeiramente do período de 2011/2013 e já voltou a estar sujeito a cortes, além de ter sofrido um aumento de custos para a prática desportiva”.

“Com os testes, as vacinas, o que é um acréscimo muito grande, nomeadamente em modalidades de combate, o acréscimo é estrondoso”, frisou Carlos Paula Cardoso.

José Manuel Lourenço enalteceu a mais-valia destes estudos “para que haja dados disponíveis que possam ser interpretados e ajudar também naquilo que são inclusive as opções de gestão e estratégia de cada uma das federações”.

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