As empresas em Portugal comunicaram 375 processos de despedimento coletivo entre janeiro e julho de 2026, o valor mais elevado para este período desde 2020, segundo dados divulgados pela Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT). O número representa uma subida homóloga de cerca de 13% face aos 332 processos do ano anterior.
De acordo com o relatório estatístico da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT), o total de 375 procedimentos iniciados entre janeiro e julho é o mais alto desde 2020, ano em que a crise pandémica resultou em 420 processos no mesmo intervalo. Nos anos seguintes, tinham sido registados 230 processos em 2021, 178 em 2022, 221 em 2023, 293 em 2024 e 332 em 2025.
Contudo, o número de trabalhadores visados registou uma descida de 11,4% face ao período homólogo de 2025. Esta divergência explica-se pela forte concentração dos processos em estruturas de menor dimensão, que dispõem de menor capacidade financeira para absorver choques operacionais. Do universo de 375 processos instaurados, 174 respeitaram a pequenas empresas, 105 a microempresas, 68 a médias empresas e 28 a grandes companhias.
Na distribuição geográfica, Lisboa e Vale do Tejo concentrou 221 comunicações, correspondendo a mais de metade do total nacional, seguida pela região Norte, com 104 casos. Analistas justificam este cenário com a reorganização em setores como o comércio, serviços e indústria ligeira, perante o aumento dos custos e ajustamentos de tesouraria, num contexto em que a taxa global de desemprego se manteve estável.

