O Relatório Europeu sobre Drogas da agência EUDA alerta para o uso crescente de dispositivos de vaporização no consumo de canabinoides sintéticos e opiáceos entre adolescentes. Em Portugal, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia manifesta preocupação com a falta de dados e a desregulação do setor.
A Agência da União Europeia sobre Drogas revelou que os dispositivos de vaporização, habitualmente associados à nicotina, estão a ser adaptados para o consumo de substâncias psicoativas potentes. O relatório destaca a deteção de canabinoides sintéticos e semissintéticos, bem como novos opiáceos, em líquidos para vaporização.
Esta tendência é particularmente visível entre os adolescentes europeus, com o Projeto Europeu de Pesquisa Escolar sobre Álcool e Outras Drogas a confirmar um aumento substancial do consumo nesta faixa etária. A flexibilidade tecnológica dos vapes facilita a introdução de novos compostos químicos, muitas vezes comercializados de forma enganosa como pós ou comprimidos.
Embora Portugal não disponha ainda de dados específicos sobre o consumo de substâncias ilegais através destes dispositivos, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia alerta para os riscos associados. Daniel Coutinho, coordenador da Comissão de Tabagismo da Sociedade, sublinha a falta de controlo sobre os componentes destes líquidos e critica as estratégias de marketing destinadas a atrair novos consumidores, como a disponibilização de sabores infantis.
A entidade aponta ainda para a existência de um mercado online desregulado que contorna a Diretiva do Tabaco da União Europeia, promovendo o consumo dual de nicotina e substâncias ilícitas.
O relatório enfatiza que a variação entre lotes de produtos sintéticos aumenta o risco de exposição inadvertida e danos graves para a saúde pública.
