A resiliência financeira das famílias portuguesas registou uma deterioração acentuada no último ano. Segundo o relatório European Consumer Payment Report 2025, da Intrum, apenas 77% dos consumidores conseguem pagar as suas faturas dentro do prazo, o que representa uma queda de oito pontos percentuais face a 2024.
O estudo revela um dado alarmante sobre a gestão de liquidez: 46% dos portugueses admitem ter recorrido ao cartão de crédito nos últimos seis meses para liquidar contas correntes ou despesas básicas. Este cenário indica que o crédito deixou de ser um recurso para consumos extraordinários, funcionando agora como uma extensão do salário.
O aumento do custo de vida, sobretudo na alimentação e energia, é apontado por metade dos inquiridos como o principal fator de endividamento, seguido por imprevistos médicos e pelo estancamento dos rendimentos reais.
As disparidades geracionais e regionais são evidentes nos dados da Intrum. A Geração Z revela-se a mais frágil, com 59% dos jovens a admitir que qualquer custo imprevisto pode levar ao incumprimento. Geograficamente, as Regiões Autónomas são as mais fustigadas pela inflação, enquanto no Alentejo a vulnerabilidade reside nos gastos inesperados.
Na Área Metropolitana de Lisboa, a principal queixa é o desfasamento entre os salários e o custo de vida. Luís Salvaterra, diretor-geral da Intrum Portugal, sublinha que a pressão é transversal, afetando mesmo os consumidores que habitualmente cumprem os seus prazos, mas que agora enfrentam dificuldades crescentes perante a falta de liquidez imediata e o esgotamento das poupanças.

