ENTREVISTA: CECÍLIA MEIRELES RESPONDE ÀS PREOCUPAÇÕES DOS TRANSMONTANOS

Entrevista com a Vice-Presidente do CDS-PP sobre alguns dos principais temas de principal interesse para os cidadãos eleitores do Distrito de Bragança e Vila Real.

Cecília Meireles, deputada e vice-presidente do CDS-PP, em entrevista à Rádio Regional, respondeu a algumas das grandes questões que preocupam os cidadãos do Interior.  Temas como a saúde, educação, vias de comunicação, emprego, serviços públicos, desertificação e agricultura; são algumas das principais questões abordadas.

Cecília Meireles, é jurista, licenciada em Direito pela Universidade de Coimbra, e com MBA pela Escola de Gestão do Porto. Além de vice-presidente do CDS-PP liderado por Assunção Cristas, é também membro da Comissão Executiva do CDS-PP; e membro da Comissão Política Distrital do Porto do CDS-PP. A pontualidade é o seu dos seus pontos fortes, não registando qualquer falta a nenhum dos 75 plenários da 4ª Sessão Legislativa iniciada em 19-09-2018.

No seu currículo conta ainda com outros cargos já exercidos; nomeadamente Secretária de Estado do Turismo, deputada nas XI e XII Legislaturas, membro da Assembleia Municipal do Porto e  membro da Assembleia de Freguesia de Ramalde (Porto).

Foi o seu partido, Paulo Portas, que com ousadia política deu novo significado à expressão “gerigonça”; uma herança também subscrita pela “senhora que se segue”, Assunção Cristas, que goza de uma especial simpatia junto do eleitorado feminino; tendo escolhido também uma mulher, nortenha, para sua Vive-Presidente, Cecília Meireles; que é uma atenta e crítica analista das decisões políticas do actual governo liderado por António Costa; e por isso alvo de cerrada crítica política por banda dos “vizinhos da frente” liderados por Jerónimo de Sousa e Catarina Martins.

Uma entrevista nem sempre com questões “confortáveis”, mas é essa a missão dos jornalistas, colocar as questões mais preocupantes, e neste caso, aos cidadãos de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Na fotografia, Cecília Meireles, Deputada e Vice-Presidente do CDS-PP.

 


O CDS-PP NAS AUTARQUIAS A NORTE DO DOURO:

No distrito de Bragança o CDS-PP elegeu um Presidente de Câmara, Nuno Jorge Rodrigues Gonçalves, que em coligação com o PSD, lidera a Autarquia de Torre de Moncorvo. No Distrito de Vila Real, elegeu José Rodrigues Paredes (também em coligação com o PSD) que lidera a Autarquia de Alijó. Já no distrito de Braga, elegeu 3 Presidentes das Autarquias de Amares, Vieira do Minho e Vila Nova de Famalicão (todos em coligação com o PSD). No Distrito de Viana do Castelo, elegeu Vítor Manuel Alves Mendes para Presidente da Autarquia de Ponte de Lima. No Porto, o CDS-PP elegeu José Luís Gaspar Jorge para a Autarquia de Amarante; António Domingos da Silva Tiago para a Autarquia da Maia; António Aurélio Vieira de Sousa para a Autarquia de Penafiel, e Sérgio Humberto Pereira da Silva para a Autarquia da Trofa (todos estes em coligação com o PSD).


O ENCERRAMENTO DE BALCÕES DA CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS

O encerramento de balcões da Caixa Geral de Depósitos tem sido motivo de contestação e revolta, especialmente das populações que, devido ao encerramento de balcões, passaram a ser obrigadas a deslocarem-se dezenas de quilómetros para simples operações bancárias essenciais; com especial impacto nas populações mais idosas dependentes das pensões, pagas exclusivamente por transferência bancária. Aquele que é visto como o “Banco do Estado” é agora apontado, em uníssono, pelos autarcas das regiões mais desfavorecidas; e não só; até regiões mais popularizadas são “vitimas” de uma onda desenfreada de encerramento de balcões. A este cenário, o CDS-PP aponta o dedo à Direcção Geral da Concorrência, e Comissão Europeia, que, segundo a deputada, não terão acautelado convenientemente as obrigações de um “Banco Público”, permitindo que a CGD adoptasse um funcionamento puramente comercial; como registado aos microfones da Rádio Regional:

Cecília Meireles foi directamente questionada com a solução de travar o encerramento de balcões; apontou o dedo ao Governo, enquanto tutela da CGD, destacando que o encerramento de balcões não foi acautelado aquando da negociação do plano de recapitalização da CGD; responsabilizando directamente o governo/tutela, chamando especialmente à atenção para a obrigação de coesão territorial e assegurar a oferta de serviços bancários, mesmo onde a banca “privada” não esteja presente; como se pode ouvir aqui:


O ENCERRAMENTO DE BALCÕES DOS CTT

As Estações dos CTT continuam a encerrar, deixando populações do interior distantes de um serviço essencial. Vinhais é a mais recente “vítima” de mais um encerramento, que coloca as populações, maioritariamente idosas, nem sempre nas melhores condições de saúde, a percorrer vários quilómetros, e com deficiente serviço de transportes, para utilizar os serviços dos correios. No passado dia 8 de Fevereiro, a Assembleia Municipal de Vinhais, aprovou por unanimidade uma deliberação de “repúdio” contra mais um incompreensível encerramento de uma Estação dos Correios.

A Deputada e Vice-Presidente do CDS-PP foi directamente questionada sobre o encerramento acentuado de estações dos CTT, e especialmente sobre o eventual incumprimento do Contrato de Serviço Público dos CTT, e aos microfones da Rádio Regional apontou o dedo directamente à ANACOM enquanto fiscalizador e regulador da actividade postal dos CTT; como se pode ouvir aqui:

Questionada ainda sobre a, estranha ou não, coincidência das estações dos Correios mais “poupadas” aos encerramentos serem aquelas que reuniram condições de incluir o serviço do Banco CTT; Cecília Meireles não respondeu à questão deixando essa responsabilidade na competência do regulador/fiscalizador; como se pode ouvir aqui:

A Rádio Regional “recordou” à Deputada e Vice-Presidente do CDS-PP que a ANACOM (regulador)  já fez avaliações à qualidade do Serviço Postal dos CTT, com conclusões que confirmam o incumprimento do Contrato de Serviço Postal, tendo até feito recomendações aos CTT; ao qual Cecília Meireles respondeu que essa questão será revista em breve, e que o CDS-PP é da opinião de maior exigência aos CTT intensificando a fiscalização por parte da ANACOM; como registado aos microfones da Rádio Regional:

Cecília Meireles foi directamente questionada, se afastaria definitivamente a renacionalização dos CTT, e que aos microfones da Rádio Regional, respondeu que “não afasta definitivamente coisa nenhuma“, mas que a questão não se trata de um serviço público ou privado, mas sim a qualidade do serviço prestado, salientando a necessidade de reforçar um sistema de regulação e de multas que seja dissuasor do incumprimento;


A DESCENTRALIZAÇÃO

A descentralização é um dos temas em que oposição e governo não se entendem. No entanto várias autarquias já vieram recusar novas competências, apontando o dedo ao governo, que segundo aos autarcas, trata-se de uma forma de passar novas responsabilidades para as autarquias sem comparticipações nessas novas responsabilidades. Há até autarcas que vão mais longe, e acusam o poder central de querer usar as autarquias para ofuscar a “incompetência” do governo. Sobre a descentralização, o CDS-PP que se manifesta a favor de uma “verdadeira” descentralização, considerou que a “descentralização” deste Governo PS é no fundo uma desresponsabilização das suas obrigações. Cecília Meireles chamou atenção que os agentes políticos devem decidir em prol do superior interesse dos cidadãos; e foi mais longe, considerou ainda ser pertinente o governo clarificar, o que realmente pretende fazer, em relação aos organismos que tutelam os serviços centrais que depois deixarão de fazer sentido; como se pode ouvir aos microfones da Rádio Regional:


AGRICULTURA: O REGADIO

O CDS-PP foi ainda questionado sobre as preocupações dos agricultores, que consideram absolutamente necessário o reforço os projectos de investimento em regadio. A esta questão, Cecília Meireles relembrou a sensibilidade do CDS-PP para com os agricultores, sublinhando a experiência de Assunção Cristas enquanto Ministra da Agricultura, manifestando um total apoio e concordância do partido nas iniciativas que incentivem a agricultura; conforme se pode ouvir aqui:


AS VIAS DE COMUNICAÇÃO: O IC5

A par da Autoestrada A4, o IC5 é uma das outras vias de comunicação que tem sido reclamada pelos autarcas de Trás-os-Montes, pela sua especial importância na ligação do eixo central de Trás-os-Montes à província espanhola de Ourense (La Gudina) pela especial importância desta comunidade raiana no desenvolvimento económico do Distrito de Bragança. A esta questão, Cecília Meireles, responde que o projecto do IC5 deve ser visto numa lógica global do plano consensual de investimento a longo prazo com os “pés na terra”. Cecília Meireles aponta o dedo aos partidos que tudo prometem em época eleitoral, e que depois anda cumprem porque o orçamento não chega para tudo. Foi esta a posição tomada pela Deputada e Vice-Presidente do CDS-PP à antena da Rádio Regional:


AS VIAS DE COMUNICAÇÃO: A4

Recentemente o CDS-PP absteve-se numa proposta de isenção de portagens nas autoestradas A23, A24, A25 e Via do Infante, que foi chumbada com os votos do PS. Questionada directamente sobre a Autoestrada A4, que serve os Distritos de Bragança, Vila Real e Porto; a Deputada e Vice Presidente do CDS-PP não se mostrou favorável à isenção de portagem; mas sim da aplicação de um benefício fiscal em sede de IRS para todos os habitantes do Interior para além das portagens aplicável tanto a cidadãos como empresas. Mas sabe a Rádio Regional que esta proposta não colhe apoios da maioria dos autarcas transmontanos. Aos microfones da Rádio Regional, Cecília Meireles respondeu assim:


SERVIÇOS DE EMERGÊNCIA: O HELICÓPTERO DO INEM

A EASA – Agência Europeia para a Segurança da Aviação mandou “parar” dois dos quatro helicópteros da Babcock ao serviço do INEM – Instituto de Emergência Médica. Um desses helicópteros é precisamente o que está alocado ao serviço de Trás-os-Montes com base em Macedo de Cavaleiros. Já recentemente os transmontanos viram em risco o serviço de emergência “aerotransportado” em resultado de um acidente trágico que vitimou quatro profissionais da emergência médica. Depois dos vários encerramentos de serviços médicos e perante este sério risco dos Transmontanos verem o seu único meio de emergência em risco; o CDS-PP foi questionado sobre o tema; tendo clarificado que se trata de matéria do Governo enquanto tutela do INEM, e que o salvamento de vidas humanas deve ser sempre uma prioridade relembrando que é o Governo que deve acautelar o serviço de emergência; como aqui registado aos microfones da Rádio Regional:


ACESSO AOS SERVIÇOS DE SAÚDE

Após o encerramento de serviços de saúde no Distrito de Bragança e Vila Real, os utentes passaram a ficar mais distantes de acesso a serviços de saúde essenciais. A Rádio Regional sabe, que em situações mais graves, há populações cuja distância está fora do tempo recomendado de salvamento a utentes que possam ser vítimas de um AVC, ataque cardíaco ou paragem cardio-respiratória.  A questão é tensa e desconfortável, a que Cecília Meireles respondeu aos microfones da Rádio Regional com o reforço do transporte de emergência:


AS PROPINAS NO INTERIOR

A Rádio Regional questionou Cecília Meireles, sobre a redução ou isenção de propinas aos alunos das Universidades do Interior, como medida de atracção e eventual dinamização e fixação de jovens em regiões do interior, que confirmando que seria um bom incentivo, considera que tal opção iria pesar no Orçamento do Estado; pelo que segundo a Deputada e Vice-Presidente do CDS-PP considera mais útil o reforço das bolsas de estudo, para beneficiem o mérito de quem realente não tem rendimentos, do que beneficiar aqueles que realmente podem pagar as propinas; como se pode ouvir aqui:


ALOJAMENTO UNIVERSITÁRIO

O alojamento universitário tem-se revelado um sério problema aos jovens estudantes que procuram um quarto quando se deslocam para o ensino superior. Sabe a Rádio Regional que a especulação imobiliária tem afectado de um modo geral os transmontanos que pretendem estudar em Universidades no litoral como em universidades do interior. Porém a Rádio Regional sabe de casos que que as famílias que possuem rendimentos suficientes para serem excluídos de apoios, as mesmas famílias que ao mesmo tempo não conseguem acompanhar a infracção imobiliária; e por esta razão muitos jovens transmontanos estão impossibilitados de prosseguir com os seus estudos; criando uma barreira efectiva na igualdade do acesso ao ensino superior. Nesta entrevista o partido CDS-PP foi confrontado com esta questão e questionado com a solução; Cecília Meireles respondeu que a solução passará pelo reforço das bolsas, benefícios fiscais, e criação de residências universitárias; conforme ficou registado aos microfones da Rádio Regional:


O APOIO DO ESTADO AOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

Perante uma crise instalada na Comunicação Social em Portugal, com especial incidência nos meios de comunicação regionais, situação que até já mereceu uma especial chamada de atenção por parte do Sr. Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa; o mais amplo debate sobre o tema, abre espaço para uma intervenção do Estado em apoios à comunicação social. Perante esta possível intervenção, o CDS-PP responde com preocupação com as “boas intenções” e vê com “reservas” a necessidade de acautelar a independência e liberdade de expressão fundamental aos órgãos de comunicação social; como ficou registado à antena da Rádio Regional:


O SIRESP

A Rádio Regional sabe, por diversas fontes seguras que directamente operam com esta rede de comunicações; que em muitas zonas de Trás-os-Montes há falhas de cobertura, que poderão comprometer gravemente uma operação de salvamento em situação de catástrofe que possa ocorrer. Várias são ainda as acusações ao SIRESP nos incêndios de 2017. A Rádio Regional questionou directamente o CDS-PP sobre a nacionalização do SIRESP; ao qual Cecília Meireles respondeu que, mais importante que ser um serviço público ou privado, é o bom funcionamento da rede; não deixando de apontar o dedo ao Ministro da Administração Interna, que segundo a Deputada e Vice-Presidente do CDS-PP terá faltado à verdade sobre o SIRESP; conforme disse à antena da Rádio Regional:


Uma entrevista conduzida por:
Vítor Fernandes (CP 1276)
Direcção de Informação
Rádio Regional

Fotografia: Público e Agência Lusa

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