O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas negou, no Parlamento, a existência de atrasos significativos no pagamento de compensações por ataques de lobo ibérico. Em audição, foram ainda discutidas novas estratégias de proteção da espécie e apoio aos produtores pecuários.
O vice-presidente do ICNF, Paulo Salsa, refutou perante os deputados da Comissão de Agricultura e Pescas as alegações de que o Estado demora mais de um ano a liquidar as indemnizações devidas aos pastores.
Segundo o dirigente, as críticas que apontam para demoras excessivas não correspondem à realidade do atual sistema de processamento de danos causados pelo lobo ibérico. A audição decorreu na sequência de requerimentos apresentados pelo PAN e pelo Chega. No mesmo debate, a comunidade científica apresentou propostas para reformular o modelo de coexistência com o predador.
Raquel Godinho, investigadora do centro BIOPOLIS/CIBIO, defendeu a transição para um sistema de compensação positiva. Esta modalidade prevê premiar financeiramente os produtores que favoreçam a conservação da espécie e que registem alcateias reprodutoras nos seus territórios.
Sobre o programa estratégico Alcateia 2025-2035, a cientista sublinhou que a eficácia da política pública não deve ser aferida pela celeridade dos pagamentos, mas sim pela redução efetiva do número de ataques.
A investigadora sugeriu que o objetivo central deve passar pela criação de territórios onde a necessidade de recorrer a indemnizações seja progressivamente menor, garantindo a sustentabilidade das explorações agrícolas em zonas de presença do lobo.
Redação | Fotografia: Grupo Lobo, Artur V. Oliveira

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