A Câmara Municipal de Ribeira de Pena quer elevar o linho de Cerva e Limões ao estatuto de Património Cultural Imaterial nacional. A autarquia já submeteu a candidatura com o objetivo de preservar, valorizar e impulsionar uma “identidade muito nossa”, mantida viva pelo bater ritmado dos teares das tecedeiras locais.
O projeto abrange todo o ciclo produtivo, “desde a sementeira, à espadelada, ao modo de tecelagem, à feira do linho, aos artefactos usados e às cantigas”, explicou Ricardo Carvalho, técnico responsável pela candidatura. Em Limões, a tradição cumpre-se integralmente: em maio, os campos ainda se vestem de azul com a planta do linho, perpetuando um saber-fazer que no século XVIII já atraía as casas mais ricas da região.
O Presidente da Câmara, João Noronha, destaca que os teares são “testemunho de muitas gerações” e que esta arte, outrora complemento ao rendimento agrícola, continua a ser o sustento de algumas famílias. Contrariando o declínio de outras épocas, o número de artesãos tem crescido nos últimos dois anos, com 17 pessoas ligadas à cooperativa de Limões e oito à de Cerva. Curiosamente, a artesã mais velha, que trabalha ao vivo no Museu do Linho em Limões, tem 102 anos.
A qualidade deste produto endógeno já ultrapassou fronteiras. Em 2019, as tecedeiras da cooperativa CACER colaboraram com o famoso designer francês Christian Louboutin na criação da mala de luxo “Portugaba”.
Para o futuro, a autarquia aposta em atrair o setor da moda e decoração e anunciou o regresso, em 2026, da iniciativa que promove passagens de modelos com peças de linho. A candidatura integra o Plano de Ação Regional para a Cultura Norte 2030.
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