O investimento global em armamento nuclear cresceu 19% em 2024, totalizando 103 mil milhões de euros. Segundo um relatório da Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares, os Estados Unidos lideram a despesa, superando o investimento conjunto das restantes oito potências nucleares.
As nove potências nucleares reconhecidas investiram um valor recorde de 118,8 mil milhões de dólares em armamento atómico no último ano, um aumento de 19% face ao período anterior. O estudo divulgado pela Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (ICAN), organização laureada com o Nobel da Paz, indica que este crescimento ocorre num cenário de elevado risco geopolítico.
Os Estados Unidos registaram a maior despesa absoluta, com 69,2 mil milhões de dólares, montante que supera a soma dos investimentos de todos os outros países do grupo. A China ocupa a segunda posição, com 13,5 mil milhões de dólares, seguida pelo Reino Unido, que ultrapassou a Rússia ao investir 12,6 mil milhões. França, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte completam a lista de estados com capacidade atómica. O relatório destaca que o investimento norte-americano cresceu 22%, o paquistanês 18% e o britânico 17%.
A ICAN sublinha que a despesa global poderia financiar o orçamento das Nações Unidas por 19 anos. O setor privado obteve contratos superiores a 38 mil milhões de dólares, beneficiando empresas como a Honeywell, Lockheed Martin e Northrop Grumman, além de multinacionais como a Airbus, a Boeing e a Rolls-Royce. Para os autores do documento, os programas de modernização a longo prazo, previstos nalguns casos até ao século XXII, desviam recursos financeiros de necessidades humanas urgentes, como o combate à insegurança alimentar. A análise mantém-se focada nos dados financeiros e nos compromissos de rearmamento das potências nucleares.
