O Ministério Público imputou o ex-primeiro-ministro José Sócrates de seis crimes: corrupção passiva para a prática de atos contrários aos deveres do cargo, fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais, falsificação, recebimento indevido de vantagem e tráfico de influências.
A informação foi avançada esta sexta-feira pelo “Diário de Notícias”, esta sexta-feira, e adianta que equipa de investigação da “Operação Marquês” entregou aos advogados João Araújo e Pedro Delille um documento com 103 páginas de imputações, sendo que nelas o Ministério Público refere que o antigo líder do executivo obteve 2,8 milhões de euros através do Grupo Lena e do amigo Carlos Santos Silva.
Na terça-feira, José Sócrates saiu do edifício do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e reiterou que o Ministério Público (MP) continua a não apresentar provas dos alegados crimes de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção (no âmbito da “Operação Marquês”) de que o ex-primeiro-ministro é suspeito.
“Eu julguei que esta era a última oportunidade para o MP finalmente apresentar elementos de prova, elementos de facto, que pudessem fundamentar as suas alegações. E fiquei espantadíssimo porque o MP não foi capaz de apresentar nada,” declarou Sócrates, perante dezenas de jornalistas que o esperavam à porta do DCIAP.
O ex-primeiro-ministro foi interrogado, na tarde de segunda-feira, pelo Ministério Público, devido ao alegado favorecimento do Grupo Espírito Santo. As transcrições terão servido para sustentar a questão de que o Sócrates recebeu mais de 17 milhões de euros para condicionar negócios da Portugal Telecom. Quando confrontado com a escuta, Sócrates mostrou-se deveras irritado, uma vez que julgava estar encerrado o processo em que tinha sido visado em Aveiro.

