Um estudo da Universidade do Minho revela um aumento significativo da prevalência de miopia entre crianças e adolescentes portugueses, atingindo mais de 45% dos alunos do ensino secundário. A investigação associa o uso intensivo de telemóveis ao agravamento deste problema de visão.
Investigadores do Laboratório de Investigação em Optometria Clínica e Experimental da Universidade do Minho concluíram que a prevalência de miopia em Portugal regista um aumento acentuado com o avançar da idade. O estudo, que incidiu sobre 347 menores entre os 6 e os 18 anos, revelou que a incidência desta condição passa de 12% na faixa etária dos 6 aos 10 anos para 35% entre os 11 e os 15 anos. No ensino secundário, o valor ultrapassa os 45% dos alunos.
Os resultados, publicados na revista científica BMC Pediatrics, sugerem uma associação direta entre a utilização frequente de telemóveis e a presença de miopia, particularmente durante os períodos letivos. Segundo a equipa de investigação, as crianças míopes demonstraram uma maior utilização de dispositivos digitais em comparação com as crianças hipermétropes. Estes dados reforçam a preocupação com os hábitos visuais contemporâneos num contexto de exposição tecnológica intensiva.
O projeto, desenvolvido no âmbito das dissertações de Alice Doellinger e Jéssica Henriques, sob orientação de António Queirós, confirmou igualmente o papel da hereditariedade. Filhos de pais míopes apresentaram uma maior probabilidade de desenvolver a patologia. Os investigadores sublinham a importância de monitorizar precocemente os hábitos visuais e de implementar estratégias preventivas eficazes para mitigar o problema.

