O Movimento Cultural da Terra de Miranda (MCTM) manifestou-se esta segunda-feira contra os projetos de hibridização eólicos e solares planeados pela multinacional francesa Engie para o Planalto Mirandês e Douro Superior. Em declarações à agência Lusa, Óscar Afonso, membro do movimento, classificou a instalação massiva de aerogeradores e painéis fotovoltaicos como uma “estratégia de saque disfarçada de transição energética”, alegando que a região está a ser tratada como uma “colónia energética”. O MCTM defende que os recursos naturais — água, vento e sol — pertencem ao território e não podem ser explorados por uma entidade monopolista sem que existam compensações diretas para a população local.
O movimento alerta para os danos irreversíveis na fauna, flora e solos, transformando a paisagem num “estaleiro industrial” enquanto a riqueza produzida segue para fora da região. Óscar Afonso vincou que a Terra de Miranda não está à venda e exige dignidade para uma região que considera ser tratada como “periferia descartável”. Em causa estão quatro projetos que visam reforçar a produção renovável nas centrais hidroelétricas de Picote, Bemposta, Baixo Sabor e Foz Tua, somando mais de 500 Megawatts de potência instalada. A Engie, que tem realizado sessões de esclarecimento, recusa para já revelar o montante do investimento.

