Por momentos parecia a revolução de Abril quando cravos vermelhos se ergueram numa alusão ao nosso 25 de Abril de 1974. No dia em que o Governo Espanhol impediu de todas as formas a realização de um referendo, que dava à Catalunha a decisão do seu próprio futuro. A violência foi a solução que o Governo Espanhol encontrou para apreender votos, encerrar mesas de voto, detenções, corte de comunicações e até violência contra manifestantes que pretendiam votar.

As imagem dizem quase tudo num dia marcado por violência entre quem quer ser independente e quem diz que esse direito é “ilegal”. Nem o Barça (Barcelona) escapa à perturbação política, e o jogo com o Las Palmas será realizado à “porta fechado” devido ao risco de segurança e à provocação da equipa de futebol de las Palmas que prometia jogar com a bandeira impressa nas camisolas. Está o caos instalado, nem as intuições e nem as polícias se entendem; e o delegado do Governo Nacional na Catalunha criticou logo a inacção da polícia regional (‘Mossos d’Esquadra’) em impedir o referendo independentista, alegando que Madrid “viu-se obrigada a fazer o que não queria”: usar autoridades nacionais para impedir as votações.
Nem a comunicação social escapa a esta avalanche, A Associação de Meios de Informação espanhola , que representa mais de 80 meios de comunicação espanhóis, divulgou um comunicado em que defende a legalidade democrática e o Estado de Direito face a “uma consulta que foi declarada ilegal” pelo Tribunal Constitucional, por violar a Constituição, e que “contraria” também o Estatuto de Autonomia da Catalunha.
Os opositores à independência, que os estudos de opinião indicam serem maioritários, não participaram na campanha eleitoral nem irão votar, para não darem credibilidade a uma consulta que o Estado espanhol considera ser ilegal.
O Tribunal Constitucional espanhol suspendeu no início de setembro, como medida cautelar, todas as leis regionais aprovadas pelo Parlamento e pelo Governo da Catalunha que davam cobertura legal ao referendo de autodeterminação convocado para hoje.
Os partidos separatistas têm uma maioria de deputados no parlamento regional da Catalunha desde setembro de 2015, o que lhes deu a força necessária, em 2016, para declararem que iriam organizar este ano um referendo sobre a independência, mesmo sem o acordo de Madrid.
Ho total já se contam mais de 300 feridos entre a população e pelo menos 11 agentes das forças policiais foram feridos em operações para impedir a votação. “De momento, no total, nove agentes da polícia e dois da Guardia Civil foram feridos ao executarem ordens”, escreveu o Ministério no Twitter, precisando que os agentes foram atingidos com pedras.


