Os diretores dos serviços de Cardiologia dos hospitais de Santo António (Porto), Vila Real, Matosinhos e Penafiel endereçaram uma carta à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, alertando para a “incapacidade de resposta” na área da cirurgia cardíaca e da implantação de válvulas aórticas (TAVI) na região Norte.
No documento, os especialistas denunciam que os centros de referência atuais — localizados nos hospitais de Gaia e São João — encontram-se sobrecarregados, resultando em tempos de espera que podem atingir os 11 meses. Segundo os clínicos, esta situação está a colocar doentes em risco de vida, havendo registo de óbitos enquanto aguardam intervenção.
Os subscritores defendem o reforço da rede através da atribuição de competências a outras unidades. É o caso do Hospital de Santo António, que dispõe de infraestruturas para cirurgia cardíaca, e do Hospital de Vila Real, que reclama a capacidade técnica para procedimentos TAVI, visando servir uma população de 400 mil pessoas no interior.
Os médicos sublinham que soluções semelhantes já foram adotadas em hospitais do Sul, como Évora e Almada, e consideram “inadmissível” a desigualdade de acesso no Norte. Em resposta, o Ministério da Saúde afirmou não se opor à criação de novas unidades, desde que deliberadas pelos conselhos de administração e validadas por peritos, tendo já solicitado à Direção-Geral da Saúde e à Direção Executiva do SNS a apresentação de soluções urgentes para estas listas de espera.

