O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde declarou oficialmente a atual epidemia de Ébola na África Central como uma emergência de saúde pública de importância internacional. Tedros Adhanom Ghebreyesus justificou a medida extraordinária perante o comité de emergência da instituição, fundamentando-a na escala e velocidade de propagação do vírus Bundibugyo, uma estirpe específica para a qual não se encontram disponíveis vacinas ou tratamentos terapêuticos validados.
A decisão, tomada após consultas diretas com os ministros da Saúde da República Democrática do Congo e do Uganda, cumpre as prerrogativas do Artigo 12.º do Regulamento Sanitário Internacional. O balanço atual aponta para trinta casos confirmados no território congolês e dois na capital ugandesa, Kampala, importados da nação vizinha.
A progressão da doença para áreas urbanas de grande densidade populacional, como Goma e Bunia, aliada ao registo de mais de quinhentos casos suspeitos e cento e trinta mortes, acentuou os alertas das autoridades internacionais.
A transmissão associada aos cuidados prestados nas unidades de saúde e a elevada volatilidade geopolítica na província de Ituri, fustigada por conflitos armados com o movimento rebelde M23, são apontadas como fatores críticos que potenciam uma dispersão massiva.
Para sustentar o plano de intervenção sanitária imediata, foram alocados mais de três milhões de euros do Fundo de Contingência para Emergências. Paralelamente, o prémio Nobel da Paz Denis Mukwege instou as forças rebeldes a reabrirem as infraestruturas aeroportuárias para viabilizar o fluxo de ajuda humanitária.

