Richard Huckle, descrito pelos investigadores como um predador sexual e que aproveitava a sua actividade como voluntário de uma associação cristã para chegar às vítimas, foi considerado culpado, esta Segunda-feira, das 22 acusações que o levaram a julgamento no tribunal de Old Bailey.
Ao proferir a sentença, o juiz Peter Rook disse a Huckle que os seus atos “arruinaram as vidas das suas vítimas para sempre” e lhes provocaram “danos psicológicos graves”.
Huckle admitiu 71 crimes de abuso sexual de crianças, mas a polícia suspeita que tenha cometido muitos mais entre 2006, quando chegou à Malásia, e dezembro de 2014, quando foi detido no aeroporto londrino de Gatwick.
“É um dos pedófilos mais determinados, mais manipuladores e mais maldosos que encontrei“, afirmou em tribunal um responsável da agência nacional contra o crime (NCA), Matthew Long.
Numa carta lida pelo advogado de defesa ao tribunal, Huckle afirmou estar “cheio de remorsos”.
A polícia estima que o britânico tenha cometido o primeiro abuso sexual de uma criança quando, aos 19 anos, esteve no Camboja.
Os abusos cometidos na Malásia foram primeiro descobertos por investigadores australianos no âmbito de um inquérito a um site frequentado por abusadores de menores.
Em publicações online, Huckle chegou a gabar-se que “as crianças mais pobres são definitivamente mais fáceis de seduzir do que as crianças ocidentais de classe média”. Em outro texto, referiu-se a uma das suas vítimas: “Saiu-me o jackpot, uma menina de três anos leal como o meu cão e ninguém se deu conta”.
A investigação identificou formalmente 23 vítimas, a mais jovem das quais com pouco mais de seis meses.
Natural de Kent, no sul de Inglaterra, Huckle foi detido quando regressava ao Reino Unido para passar o Natal com a família. Na bagagem, a polícia encontrou um computador e uma câmara com mais de 20 mil imagens pedófilas encriptadas.
A pena de prisão perpétua hoje anunciada tem associada uma pena de segurança de um mínimo de 25 anos de prisão. Huckle já cumpriu 488 dias de prisão.

