PETER PRAET DIZ QUE TEM ‘MUITAS DÚVIDAS’ SOBRE A CAPACIDADE DOS BANCOS

O ex-membro da Comissão Executiva do Banco Central Europeu (BCE) Peter Praet disse esta sexta-feira que, apesar de os bancos se terem fortalecido nos últimos anos, ainda persistem dúvidas sobre a sua capacidade de acomodar choques.

O economista belga fez hoje uma apresentação na conferência do Banco de Portugal “O euro 20 anos depois: a estreia, o presente e as aspirações para o futuro”, que decorre em Lisboa, em que considerou que “completar a união bancária é prioridade”, já que apesar do sistema financeiro europeu se ter fortalecido nos últimos anos ainda é questionável a sua capacidade de acomodar choques.

Quando se fala em choques com que um sistema financeiro se pode confrontar tal refere-se a eventos negativos que podem pôr em causa a resiliência do setor bancário, ou seja, a estabilidade financeira, como o abrandamento ou mesmo recessão da economia ou a falência de um banco (como foi o do Lehman Brothers).

Sobre a política monetária, Praet considerou que não pode fazer tudo sozinha, até pelas incertezas que atualmente se geram por fatores geopolíticos.

Praet defendeu o reforço do quadro de instrumentos macroprudenciais na União Económica e Monetária (UEM) e considerou que as políticas de estabilização têm de ser melhor articuladas com as políticas monetária e orçamental, sempre preservando a independência do banco central. Pediu ainda um reforço da capacidade orçamental a nível europeu, com estabilizadores automáticos que consigam acomodar crises.

Para já, na estabilização da zona euro como um todo, a política monetária domina, sendo atribuída à política orçamental um papel importante a nível nacional para reagir a choques assimétricos. Sobre os países a quem é pedido que gastem mais, como a Alemanha, o economista nascido neste país defendeu que isso deve acontecer, mas que a dificuldade é saber como investir “de forma inteligente”.

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