Aí está, o velho hábito português está de volta. Num grupo que, à primeira vista, parecia tão acessível, Portugal soma dois empates em dois jogos e vê-se obrigado a sacar da calculadora frente à Hungria para não se ficar pela fase de grupos do Campeonato Europeu.
Fernando Santos disse que não iria levar a cabo qualquer revolução no onze – o que se verificou, já que apenas fez entrar William Carvalho para o lugar de Danilo e Quaresma para o lugar de João Mário – mas revolucionou o ataque português.
Grande envolvência, não só do trio da frente, como dos médios portugueses nas jogadas de ataque. O conjunto luso dominou na plenitude a primeira parte, só pecando pela falta de pontaria… ou por excesso dela. Nani que o diga, que viu o poste tirar-lhe o que seria um belo golo de cabeça.
A primeira parte foi passada quase na totalidade com Portugal no domínio do jogo. Quando a Áustria conseguia sair para a frente… Isso sim, era um ‘ai Jesus’. Pepe e Vieirinha – especialmente o segundo – viram-se às ‘aranhas’ para conseguir travar as investidas adversárias. Valeu Ricardo Carvalho, o ‘bombeiro’ de serviço, a salvar as distracções.
Na segunda parte, a toada não sofreu alterações. A Áustria começou logo com um aviso a Rui Patrício, mas recolheu às ‘boxes’ imediatamente depois. Incompreensível a escassez de jogo ofensivo de uma selecção que terminou a fase de apuramento sem qualquer derrota, e que, ainda por cima, estava obrigada a ganhar depois da derrota inaugural com a Hungria.
Já Portugal, ressentiu-se em demasia do progressivo apagamento de Ricardo Quaresma. O ‘mustang’ começou bem, com boas arrancadas e a largar a bola onde e quando a situação o exigia, mas foi perdendo ‘gás’, e , com ele, também a selecção desvaneceu.
Nota para o excessivo egoísmo de Cristiano Ronaldo. O capitão português voltou a mostrar o que já havia mostrado no último jogo. Quando a bola lhe chega aos pés, o caminho é só um: a baliza. Nem nos livres houve um mínimo de solidariedade. Ronaldo pode nunca ter marcado um golo de bola parada pela selecção na fase final de uma competição, mas não é por falta de tentativa, já que é ‘dono e senhor’ deste tipo de situações.
Nem de livre, nem de grande penalidade. Quando o povo português se preparava para festejar o golo, a bola de CR7 havia de bater teimosamente no poste. Dia, definitivamente, para esquecer.
Apito final para a partida e Portugal está numa posição muito delicada no grupo F. Ou acerta de vez e ganha à Hungria, ou bem pode começar a fazer as malas para o regresso.

