O número de publicações periódicas em Portugal sofreu uma queda drástica nos últimos 20 anos, perdendo um total de 1204 títulos entre 2004 e 2024. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, analisados pela Marktest a propósito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o país conta atualmente com apenas 860 publicações, menos de metade do registado há duas décadas.
A desertificação mediática afeta já 125 dos 308 concelhos portugueses, onde não é editada qualquer publicação periódica. Lisboa continua a liderar o setor com 228 títulos, o que representa mais de um quarto do total nacional, seguida pelo Porto, Oeiras, Coimbra e Sintra. A análise revela ainda que em 68 concelhos a imprensa local desapareceu por completo.
Em termos absolutos, a capital foi a cidade que mais títulos perdeu, com uma redução de 459 publicações. Outros municípios, como Chaves, Funchal e Faro, registaram quebras superiores a 80%.
Este cenário de retração sublinha as dificuldades do setor, com 44% de todos os títulos nacionais concentrados em apenas cinco concelhos, acentuando a disparidade regional no acesso à informação.

