O dia 28 de abril de 2025 fica registado na história como o dia em que a rede elétrica falhou. Pelas 11:30, um corte generalizado de eletricidade atingiu Portugal Continental, Espanha e o sul de França, numa falha que só seria totalmente resolvida nas primeiras horas do dia seguinte.
O incidente gerou o caos imediato: centenas de voos foram cancelados, o trânsito nas grandes cidades colapsou e os serviços de emergência tiveram de recorrer a geradores para manter funções vitais. O momento mais crítico viveu-se nos hospitais. O Governo admitiu mais tarde que a Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, chegou a ter combustível para apenas uma hora de autonomia nos geradores, valendo uma operação de emergência para reabastecer a unidade.
Nas primeiras horas, a incerteza dominou. O Ministro Adjunto, Manuel Castro Almeida, chegou a admitir a hipótese de um ciberataque, cenário que foi posteriormente descartado pelo Centro Nacional de Cibersegurança e pelo Primeiro-Ministro. Luís Montenegro viria a confirmar que a origem da falha residia na interconexão com Espanha.
Segundo o grupo de peritos da Rede Europeia de Operadores de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E), a causa provável foi um aumento de tensão em cascata no sul de Espanha, seguido de desligamentos súbitos de produção (sobretudo renovável), que levaram à separação elétrica da Península Ibérica do sistema continental.
A Comissão Europeia já classificou este apagão como o mais grave das últimas duas décadas, superando o incidente de 2003 em Itália. O relatório final com todas as conclusões técnicas será publicado no primeiro trimestre de 2026.

