A especialidade de dermatologia enfrenta uma crise de retenção no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Apesar de ser uma das áreas mais cobiçadas pelos jovens médicos, o setor público tem atualmente menos especialistas do que há cinco anos.
Dados de março de 2026 revelam que apenas um terço dos dermatologistas inscritos exerce no SNS, e muitos destes profissionais cumprem horários reduzidos, entre dez a 20 horas semanais. O bastonário Carlos Cortes alerta que a incapacidade de fixar médicos está a criar um ciclo vicioso que prejudica a formação e a assistência, enquanto o presidente dos administradores hospitalares, Xavier Barreto, classifica a situação em algumas regiões como “absolutamente grave”.
O Alentejo é o caso mais crítico, com tempos de espera para consultas prioritárias que ultrapassam os quatro anos. A Direção Executiva do SNS justifica estes atrasos com o aumento exponencial da procura e o envelhecimento da população, mas os colégios da especialidade apontam a falta de condições de trabalho como a causa principal.
Recentemente, foram abertas 35 vagas para recém-especialistas em 23 Unidades Locais de Saúde, incluindo as zonas mais carenciadas do interior e do sul, mas subsistem dúvidas sobre se a totalidade dos postos será preenchida perante a forte concorrência do setor privado.

