Dois novos estudos indicam que a subida do nível do mar, impulsionada pela atividade humana, alterou a probabilidade de fenómenos costeiros extremos. Em Portugal, a frequência de inundações que antes ocorriam uma vez por século poderá ter aumentado mais de vinte vezes desde o início de 1900.
Investigações publicadas nas revistas Nature Climate Change e Science Advances revelam que a marca das alterações climáticas já é mensurável nas zonas costeiras. Um dos estudos, liderado pela Universidade de Tulane, concluiu que eventos extremos do nível do mar, historicamente raros, tornaram-se mais comuns. Globalmente, a frequência mediana de episódios que ocorriam uma vez em cada cem anos aumentou cerca de doze vezes.
Na região de Portugal, a análise de dados de marégrafos vizinhos sugere que fenómenos desta magnitude podem ocorrer agora com uma periodicidade vinte vezes superior à registada no início do século vinte. A costa portuguesa apresenta subidas mais céleres nestes eventos, não necessariamente pela intensidade das tempestades, mas pelo nível de base do mar estar mais elevado.
Este cenário faz com que marés altas e ondas de tempestade atinjam limiares perigosos com maior facilidade. Outra análise, da Climate Central, quantifica em 135 milímetros a subida do nível do mar em Portugal atribuível à ação humana entre 1900 e 2018, motivada sobretudo pelo degelo de glaciares e pela expansão térmica das águas.
Os investigadores alertam que as estatísticas históricas já não refletem o risco atual, tornando o planeamento costeiro baseado em dados antigos insuficiente para a proteção de infraestruturas e comunidades. Estima-se que mais de 680 milhões de pessoas habitem zonas costeiras de baixa altitude vulneráveis a estas alterações rápidas.
