Eu vim para ficar.” Este grito de Telma Monteiro no penúltimo combate mostrava que a judoca está determinada a conquistar a medalha de bronze em -57 kg. No duelo decisivo, com a romena Corina Caprioriu, não pestanejou e agarrou a 24ª medalha olímpica de Portugal. “Já perseguia esta medalha há 12 anos.
Costuma dizer-se que à terceira é de vez… à quarta é medalha”, disse a judoca do Benfica, que tinha sido 12ª em Atenas 2004, nona em Pequim 2008 e 17ª em Londres 2012. Era o pódio que falta à judoca portuguesa, que somava cinco medalhas em Mundiais e 11 em Campeonatos da Europa. “Não interessa a idade, não interessa o tempo que temos de esperar, o mais importante é não desistir”, disse Telma Monteiro, emocionada, que repetiu a façanha de Nuno Delgado há 16 anos, nos Jogos de Sydney. “Nunca deixei de acreditar. Nos outros Jogos estava mais bem preparada.
É uma medalha da superação. Fui operada há cinco meses e meio e lutei com tudo. Não deixei que os Jogos do passado fossem um fantasma”, prosseguiu, com o sentimento de dever cumprido: “Não se trata apenas de ganhar uma medalha que eu queria muito, é um momento em que aproveito para dizer que vale a pena não desistirmos dos nossos sonhos, vale a pena lutar.” Telma foi relegada para a luta pelo bronze após a derrota com a mongol Sumiya Dorjsuren, a número um mundial, que viria a perder a final com Rafaela Silva, uma brasileira nascida e criada na favela Cidade de Deus. Mais discreto esteve Nuno Saraiva (-73 kg), eliminado na primeira ronda.

