Os desenvolvimentos tecnológicos e técnicas de espionagem podem ter perdido várias vantagens no combate ao terrorismo, uma vez que há uma nova dinâmica no seio das organizações.
O abandono da Internet por parte dos terroristas complica a tarefa das autoridades e dos serviços secretos. Os atentados são preparados de boca em boca, através de mensageiros ou familiares, descartando a utilização de eletrónicos, concluiu a conferência EUROCOP, uma confederação de sindicatos de polícias de 27 países europeus, que, ontem, reuniu líderes de organizações policiais contra o terrorismo, em Espanha, onde o Jornal de Notícias esteve presente.
Os terroristas adaptaram-se facilmente e rapidamente ao uso de escutas e outros métodos por parte dos serviços de informação de todo o mundo, como a NSA (Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos), que está “quase às cegas”.
“O terrorismo não pode ser combatido só por uma unidade especial baseada numa capital qualquer. Temos de coneguir obter informações de toda a gente que tenha contacto direto com potenciais terroristas. Em Marrocos, por exemplo, onde foram desmanteladas 20 células terroristas no ano passado, um simples merceeiro ajudou”, disse Saad Amrani, oficial e especialista em terrorismo da polícia federal belga, ao JN.
“[O merceeiro] Tinha um cliente diário que vivia sozinho. De um dia para o outro, passou a comprar dez litros de leite e 15 baguetes de pão. O merceeiro achou estranho e contou a um vizinho que, por sua vez, contou à polícia. Havia ali uma célula terrorista que preparava um atentado e foram detido. É essa informação que as agências não podem obter. Eles não comunicavam por email, tal como terroristas que perpetraram atentados na Europa nunca o tinham feito”.

