A Polícia de Segurança Pública (PSP) e a Guarda Nacional Republicana (GNR) registaram um total de 6.949 ocorrências de violência doméstica no primeiro trimestre de 2026. Este valor traduz um acréscimo de 61 casos comparativamente ao mesmo período de 2025. De acordo com os dados oficiais, a PSP contabilizou 3.725 queixas, enquanto a GNR reuniu 3.224 participações.
A atividade operacional das duas forças de segurança resultou na detenção de 793 suspeitos — 433 pela PSP e 360 pela GNR —, estabelecendo uma média próxima das nove detenções diárias por este crime. A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) reagiu com apreensão a estes indicadores. Carla Ferreira, assessora técnica da direção da APAV, alertou para um processo de normalização social da violência doméstica, referindo que as agressões são frequentemente encaradas como inevitáveis.
A associação sublinha que muitos sinais prévios de perigo continuam a ser desvalorizados pela sociedade. Em 2025, a violência doméstica provocou 27 vítimas mortais no país, incluindo 21 mulheres, duas crianças e quatro homens. Perante este cenário, a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, reiterou a urgência de acelerar os processos judiciais e de reforçar os mecanismos de proteção. A governante defendeu ainda a importância da disciplina de Cidadania no sistema escolar como forma de sensibilizar os jovens para relacionamentos saudáveis e para o respeito pelos direitos humanos.

