A decisão da Comissão Europeia de rejeitar o pedido para retirar a mina de lítio do Barroso da lista de “projetos estratégicos” da União Europeia gerou uma onda de revolta entre organizações não governamentais (ONG) e a população de Boticas. Em comunicado conjunto, a Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB), a MiningWatch Portugal e a ClientEarth acusam Bruxelas de estar disposta a “sacrificar regiões rurais e ecossistemas frágeis por lucros de curto prazo”.
A Comissão Europeia argumentou que as questões de segurança ambiental e biodiversidade são da responsabilidade de Portugal e considerou o projeto da Savannah Resources como “sustentável”. Uma justificação que as ONG classificam como uma “presunção legal” perigosa, acusando o executivo comunitário de “descartar em grande parte as críticas substanciais” e de recusar examinar os impactos nos direitos humanos.
Aida Fernandes, porta-voz da população local através da UDCB, foi contundente: “Dizem-nos que esta mina é para o bem da Europa, mas quem vai pagar o preço somos nós. As nossas nascentes, o nosso solo e as nossas explorações agrícolas são o que mantêm esta comunidade viva. Uma vez destruídos, desaparecem para sempre”. A responsável deixou o aviso: “Covas do Barroso não é uma zona de sacrifício, é a nossa casa”.
As organizações alertam para estudos independentes que apontam riscos de “contaminação e falhas catastróficas” na gestão de resíduos e água, que podem ameaçar até a região vinícola do Douro, bem como falhas graves na avaliação da qualidade do ar.
Nik Völker, da MiningWatch Portugal, considera que a decisão mostra que a UE “está disposta a trocar vidas rurais e paisagens insubstituíveis por um título político”, enquanto Ilze Tralmaka, da ClientEarth, defende que a transição ecológica “não pode ser feita à custa da segurança geográfica e comunitária”.
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